domingo, 14 de agosto de 2016

Pai Para Sempre (Parapoemando Drummond)

Por que deus permite
Que os pais vão-se embora?
Pai não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Pai, na sua graça
É eternidade
Por que deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-lo um dia?
Fosse eu rainha do mundo
Baixava uma lei:
Pai não morre nunca
Pai ficará sempre
Junto de sua filha
E ela, velha embora
Será pequenina
Feito grão de milho