quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Preciso falar da Caixa Cultural

2014 foi o ano mais difícil da minha vida. Ano em que perdi o meu amado pai. Às vezes eu tenho a impressão de que ninguém desse mundo tem ideia do que é você perder a pessoa mais importante da sua vida. Sei que não é bem "perder" mas o seu corpo físico não está mais presente nesse mundo pra poder me abraçar ou dar aquela risada gostosa dizendo "Coringão, meu deus do céu!" mesmo sendo ateu. Tem coisa que nem adianta eu tentar explicar porque cada pessoa vai sentir a sua dor do seu jeito. Eu só posso desejar que sejam fortes e que ainda temos as nossas lembranças e nossos sonhos pra lembrar dos abraços e dos momentos mais lindos de nossas vidas.
Apesar de começar falando do meu pai, não é bem dele que eu gostaria de falar hoje. Hoje eu preciso falar da Caixa Cultural.
Não sei se todo mundo sabe, mas o banco da Caixa possui um espaço cultural na Praça da Sé. É um prédio imponente, da fachada de mármore preto de 10 andares. O ano? 1939. O espaço, hoje, abriga as atividades do banco e a Caixa Cultural contendo 4 galerias de exposições, sala de oficinas, auditório, um grande salão onde acontecem vários eventos e andares da administração.
Não é do meu interesse ficar fazendo propaganda desse espaço e se alguém pensou isso, tenho pena. Falo porque se trata de um lugar incrível e que as pessoas precisam conhecer. Não é por mim, não é pela caixa. É pela arte, cultura e acalento de coração. Um espaço onde vivi belos três anos de dedicação, trabalho duro, algumas decepções e grandes amigos.
Durante três anos da minha vida, conversei e olhei nos olhos de muitas pessoas com sede de coisa nova, de olhares e ouvidos atentos aos bastidores de uma década de 30 que nada posso falar por experiência própria, mas muito falo pelo meu mergulho na pesquisa de registros dos chamados "anos de ouro" do edifício Sé.
Independente de ser uma instituição completamente capitalista e opressora, eu pude tirar proveito do que de mais belo existe nessa vida, que é a arte. Sendo bem sincera (e eu ate diria mal educada), estou pouco me lixando se acham que estou sendo puxa saco. Tive o prazer em frequentar durante três anos da minha vida, um lugar em que se vê arte por todos os lados, que se encontra com pessoas incríveis pelos corredores, que recebe pessoas interessadas num passado que às vezes viveu, às vezes não.
Eu diria que a minha rotina na caixa era quase frenética: dois ou três grupos por dia. Recebi crianças de 3 anos que adoravam falar dos pais, professores que adoravam descontar a má educação dos seus alunos nos pobres educadores conversando durante toda a visita, educadores mais preocupados em caçar nossos deslizes demonstrando com intensidade os seus, adolescentes com cara de "que saco" e famílias querendo comer e ir embora. Claro, seria hipocrisia dizer que foram anos perfeitos sem visitas enlouquecedoras. No entanto, os olhos brilhando com interesse numa época passada, os suspiros e questões em volta de um piso de taco feito de madeira maciça, as caretas quando se olha um objeto de mais de 10 quilos feito apenas para fazer contas e o alívio de ter feito vários novos amigos em uma hora e meia, definitivamente, pagam toda e qualquer tipo de decepção que pude ter naquele lugar.
O público da caixa é um público que quer saber o que ocorria naquele lugar. O que era? Quem ficava em cada sala e o que eles faziam? Cadê as mulheres representadas nesse lugar? Era uma época de muito ou poucos amores? E nós aceitamos a proposta dos visitantes conforme dizem suas questões e expressões.
Jamais esquecerei da primeira exposição que eu mediei na caixa. Esculturas em cerâmica de uma artista chamada Kimi Nii. As obras pareciam planetas e vulcões e, por se tratar de arte contemporânea, foi um desafio apresentar aquela exposição para crianças de 3 anos.
Ousei. Li pela enésima vez a obra "O pequeno príncipe" porque aquilo tinha me feito lembrar que cada personagem morava em um planeta. Hum... interessante. Dei nome às obras, reinventando-as. As esculturas em cerâmica tornaram-se planetas e o pequeno príncipe foi viajando e conhecendo seus donos. Kimi Nii que me desculpe, mas sou educadora. Arte educadora. A minha licença para mergulhar e navegar na arte é a mesma de qualquer uma daquelas crianças ou de qualquer visitante que pudesse entrar e viajar junto com a gente, ou sozinho. Assim como a própria Nii teve para criar, somos livres para recriar e trazer um sentido pra nós.




Tive, também, a maravilhosa chance de conhecer o trabalho de um dos artistas brasileiros que eu mais admiro. Abelardo da Hora. Pernambucano, o escultor trata da beleza feminina, da vida simples e bela e da miséria de uma forma que toca o coração.
Pesquisando sobre sua vida, descobri que existe um Instituto com o seu nome. Quando fui para Recife pela segunda vez em Janeiro de 2016, fui atrás do local e deparei-me com a casa do artista. Fui recebida pela filha dele e conheci sua casa, seu ateliê e até seu quarto. Uma experiência tão mágica que jamais vou esquecer.

 (Esta obra é a "Nega Fulô" que está até hoje no MASP)



Também tive a honra de encontrar com os brilhantes da poesia Alice Ruiz e Arnaldo Antunes nos corredores da Caixa Cultural, vi de perto a simpatia de Alceu Valença e Nando Cordel, brinquei com os brinquedos artesanais de Sálua Chequer, conheci trabalhos de educadoras brilhantes como Gisa Picosque, viajar nos Tapetes Contadores de Histórias e nas aventuras de Stim Shilin, conheci mais sobre o candomblé de Carybé, li haicais de Paulo Leminski e ri tentando pensar em coisas complexas no que ele disse com a maior simplicidade e que estava acontecendo ali, naquele momento, entendi sobre gravuras, esculturas, pinturas e vários outras técnicas artísticas... foi tanta coisa maravilhosa, tanta coisa incrível que me torno incapaz de descrever cada uma dessas experiências incríveis.
Como educadora, participei de ações educativas como a visita teatralizada, pedindo uma licença para a galera das artes cênicas e, com todo o cuidado do mundo, explicando que nos vestir de um personagem e fazer a visita como se fosse ele é apenas uma brincadeira e uma forma de deixar a visita mais divertida, de ajudar a criar a visita sensibilizadora, dando a chance das pessoas sentirem os cheiros, ouvindo sons e experimentando sensações numa visita em que os sentidos são aflorados, criar joguinhos e dividindo equipes para que o desafio da competição apimente a experiência das pessoas no espaço, fazendo caixinhas de memórias, criando paredões de homens enfurecidos ao falar do feminismo, tirando o colete do "Gente Arteira" e dizer que ali estava a Aline Dias e que um uniforme pode identificar mas não revelar quem sou. Infinitudes.
Como eu gostaria que cada pessoa que está lendo esse texto entrasse um pouquinho em minha memória e tivesse a chance de ver um pouquinho desse filme que passa na minha cabeça nesse exato momento.
Sou grata.
A instituição ainda tem muito o que aprender com relação a ter um educativo. Apesar disso, sempre confiei muito no meu trabalho e sei que, pelo menos nesse período que eu estive lá, fiz e fizemos de tudo para que a luz daquele espaço onde os educadores são chamados de monitores não se apagasse. Independente da instituição, fiz o meu trabalho da forma mais sincera que pude e colhi frutos incríveis. O valor que isso tem pra mim é muito, muito grande.
Eu cresci demais e sei valorizar as coisas belas que a vida coloca ali na nossa porta.
Agora, estou no museu da cidade. Vários espaços riquíssimos na nossa cidade que representam assuntos e temas que diz um pouco sobre cada um de nós.
A minha pesquisa agora é sobre o circo. Um assunto que ainda estou estudando, mas que já me agrada muito.
Bom... vou ficando por aqui.
Qualquer dia desses, faça-me uma visita em algum espaço cultural.
Por aí, pela cidade.
Sei que posso não ficar num lugar para sempre, mas acredito que, de profissão, estou certa de onde é o meu lugar: sou educadora.





sábado, 22 de julho de 2017

Lua de Chocolate Belga

Depois de viver tantos dias lindos e estar encantada com tudo que aconteceu, ainda tínhamos mais coisas a comemorar do nosso casamento.
Numa sugestão do Felipe, decidimos ir pra Curitiba.
Sempre tivemos curiosidade de conhecer a cidade, lá os termômetros marcam temperaturas mais baixas que aqui em sampa, dizem que é uma cidade muito organizada (falou em organização com virginianos, já sabem, né?), e queríamos aproveitar ao máximo o calor dos nossos corpos num lugar frio, então achamos o lugar ideal.
As passagens já estavam compradas desde o começo do ano. Ida e volta no período em que compramos saiu por um preço bem legal e ainda não pegamos a tarifa chata das bagagens.
Ida dia 11 de Julho e volta dia 19 de Julho. Tempo o suficiente para não passar muito rápido e também não chegar a sentir saudade da nossa casa.
O próximo passo seria a reserva do hotel. Esta tarefa ficou para meados de Julho mesmo. O hotel escolhido foi o Estrela do Sul: um hotel no centro de Curitiba que atendeu muito bem as nossas expectativas e cumpriu bem a sua missão.
Chegamos com um pouco de fome e o funcionário do hotel já indicou lugares pra comer aquela hora. Era mais de 23 horas, então fomos numa padaria 24 horas perto do hotel e depois disso, descanso.
No segundo dia, o Fe me fez uma surpresa. Me levou na Caixa Cultural de Curitiba e fomos os primeiros visitantes da exposição "Cor e Corpo" de ninguém mais, ninguém menos que Tomie Ohtake. Demos muita sorte de poder coincidir a data da nossa viagem com a abertura da exposição! Que estava linda. Daí tivemos um dia de descobertas e a primeira foi que é muito difícil almoçar depois das 15 horas em Curitiba. Andamos pra caramba pela cidade até encontrar um restaurante aberto. Não tivemos muita escolha, então fomos num shopping mesmo.
Foi muito bom termos almoçado lá porque descobrimos o melhor sorvete que já tomamos na vida! Uma loja chamada D'vics. Os sorvetes são servidos em taças mescladas com chocolate, acrescentam ferrero rocher, nutella, kinder ovo e tudo as delícias mais deliciosas que gostamos! O sabor do sorvete foi o de chocolate belga porque, né? É muito amor!

 Caixa Cultural Curitiba

D'VICS

No meeeesmo shopping, vimos um museu. Sim! Antes de ser um shopping, o lugar era uma estação ferroviária e lá tem o Museu Ferroviário contando um pouco de como era essa época. Este museu é uma das atrações turísticas de Curitiba. Um museu simples mas pra quem estava só querendo almoçar, valeu muito a pena!
Fomos caminhando de lá até o hotel, conhecendo as ruas de Curitiba e uma rua muito bonita e que também faz parte do seu roteiro turístico é a Rua das Flores. Foi muito legal ver os postes acesos, pessoas fazendo compras numa feirinha de artesanato lá próxima, saber que estávamos ali, juntos e tão leves, tão felizes...
No dia seguinte, dia 13, aproveitamos para conhecer mais dois pontos turísticos famosos de Curitiba: o jardim botânico e o Museu Oscar Niemeyer.

 Jardim Botânico

 Jardim Botânico

Museu Oscar Niemeyer - Museu do olho

O jardim botânico foi a realização de um sonho que tínhamos, pois ao procurar o que fazer em Curitiba, nos deparamos com fotos lindas desse lugar. Realmente, o jardim botânico é encantador! Pegamos dias lindos de frio com sol (os meus preferidos) e estar num lugar que ouvimos tanto falar, emociona. No parque, ainda tem vários espaços para fazer piquenique, para conhecer espécies de plantas e explorar os sentidos. Valeu muito a pena a visita lá!
O MON surpreendeu logo de cara pelo seu tamanho. Por fora, ele é realmente gigantesco! Por dentro, então! Passamos o resto do dia lá, conhecendo as galerias de exposições do museu. Eu não sei se o termo certo para aquele lugar é museu, pois não sou museóloga, apesar de conhecer algumas coisas sobre a área, mas seu apelo maior é para as galerias de exposições e não necessariamente para as maquetes do arquiteto Oscar Niemeyer que lá estão. Além de ter seus principais trabalhos, contamos com um breve texto de sua vida e só. Acredito que "centro cultural" seria mais apropriado, mas enfim. As exposições tinham diversos temas, principalmente dentro da arte contemporânea e nós adoramos o espaço.
Dia 14 de Julho foi a vez de vestirmos mesmo a camisa de turista e andar naqueles ônibus turísticos! Um passeio muito legal, o ônibus passa pelos principais lugares da cidade e tivemos a chance de conhecer lugares incríveis como o Bosque Alemão, que é um parque lindo com uma trilha que conta a história de João e Maria, a Ópera de Arame que é um espaço incrível para espetáculos musicais e concertos de grande porte, o memorial ucraniano que é um espaço que fala um pouco da população ucraniana no Brasil e o Parque Tanguá que, definitivamente, foi a coisa mais mágica que vimos nesses dias. Imagine um parque enorme, cheio de cerejeiras, muitas flores e torres para que você possa subir e contemplar tudo de cima. Este parque foi uma experiência maravilhosa pra gente.
Estávamos ali, juntos, celebrando o nosso casamento, a nossa união formal, aceitando de coração e braços abertos as vibrações mais positivas que existem. Estávamos encantados com aquele momento que ficaria guardado na nossa memória, com certeza.


 
Bosque Alemão

Bosque Alemão

Ópera de Arame

Parque Tanguá <3 <3

A visita nesses lindos parques, bosques e jardins fez com que o Felipe ficasse cheio de picadas de mosquitos. Em sampa, sempre fazemos piquenique em parques e adoramos visitar espaços com muito verde e calmaria e isso nunca tinha acontecido. Acho que os insetos de Curitiba não gostaram muito do meu broto...
No nosso primeiro sábado lá, dia 15, fizemos novamente o passeio com o ônibus turístico com as passagens que ainda faltavam pra gente utilizar. Os espaços estavam bem mais cheios do que no outros dias, mas foi divertido. Como estávamos viciados no tal sorvete de taça, tomamos mais um e o dia foi assim. Fomos dormir relativamente cedo, pois no dia seguinte teríamos o passeio de trem para a cidade de Morretes. O Felipe estava muito ansioso para esse passeio, o que me deixou ansiosa também, apesar de não saber ao certo de como seria.
Domingo 16, acordamos cedo, tomamos café da manhã no hotel e partimos para a rodoviária. O nosso passeio seria feito da seguinte forma: Ida de van até Morretes pegando a estrada da Graciosa e a volta de trem para conseguirmos ver o pôr do sol.
Pegamos a van e o caminho foi bem tranquilo até lá. A estrada tem realmente um nome justo...
Chegando em Morretes, mostraram pra gente onde era o restaurante Nhundiaquara, que seria o nosso almoço e marcaram as 15 horas para voltarmos para Curitiba.
A cidade de Morretes é encantadora! Vimos uma galeria de arte com obras de Mirtilo Trombini, compramos lembrancinhas como licores e cachaças artesanais nas barraquinhas, ficamos assistindo um monte de cachorros nadando no rio Nhundiaquara e fomos almoçar.
Em Morretes, o prato tradicional é o Barreado. Uma espécie de pirão com carne seca e bacon, muito bom! Desse almoço, surgiram muitas piadas internas entre mim e o Felipe porque veio muuuuita comida! Além do tradicional barreado, veio mais uma cumbuquinha com barreado sem farinha, porções de arroz, camarão, peixe frito e bolinho de bacalhau, salada, purê de batata com legumes, um tipo de mexilhão e um tipo um pirão de camarão. Bebemos suco de laranja que veio numa jarra de uns 2 litros. Achamos engraçado separarem uma mesa com 4 lugares pra nós, mas depois entendemos que realmente precisa de uma mesa grande pra caber tudo. Comemos, comemos muito!
A volta foi mágica! Entramos no trem morrendo de sede, pois não tinha dado tempo de comprar água e eles nos serviram um lanchinho com refrigerante bem gelado. Fez um calor de 27 graus nesse dia, bem diferente do que estava fazendo em Curitiba em média.
A vista do trem é realmente linda! Natureza pura, paisagens incríveis, um ar geladinho batendo na cara e o seu grande amor do seu lado. O que mais eu poderia querer? Felipe foi registrando tudo e possivelmente as imagens serão usadas em breve, pois tem cada coisa linda que isso precisa ser compartilhado de alguma forma.

Barreado!!! Morretes

Morretes - Galeria Mirtilo Trombini

Morretes

Morretes (foto linda do meu broto)

Morretes - Pegamos o pôr do sol <3

Andei pensando muito sobre essa coisa de compartilhar. Ultimamente eu tenho compartilhado bastante os meus momentos mais felizes, pois fazia um tempo que eu não sentia o ápice da felicidade assim. Desde que meu pai morreu em 2014, sempre que eu estive num momento de felicidade, em seguida em pensava nele e eu achava que jamais viveria a felicidade plena novamente.
Meu pai faz muita, muita falta. Mas eu permito-me a ser feliz e sentir a plena felicidade quando ela aparece, pois eu sei que era isso que ele queria pra mim e pra todos da minha família. Apesar de todos os altos e baixos da vida, não podemos deixar de sentir por completo as coisas mais maravilhosas que a vida tem pra nos dar, pois nenhum momento de tristeza consegue chegar aos pés do que é um momento de felicidade quando vivido plenamente.
Quando a felicidade chega assim para as pessoas, elas deveriam compartilhar sem medo de olho gordo ou qualquer outro tipo de medo. Isso faz com que as pessoas que mais gostam de você, fiquem feliz por você também e a energia boa que isso traz é indescritível. Adoro quando alguém posta algum texto belo nas redes sociais de algum dia bonito que viveu ou de alguma coisa que ela se sente grata. Amor é isso também... é você ficar feliz pelas pessoas que estão próximas de você e você querer o bem delas. Sem medo. Definitivamente sem medo.
Ao chegar no hotel, descanso. O dia foi puxado e o dia mais esperado e mais importante de todos ainda estaria por vir.
17 de Julho de 2017, o grande dia. Dia em que comemoramos 6 anos juntos.
Durante o dia, fomos visitar a torre panorâmica que te presenteia com uma visão de 360º de Curitiba. Que cidade linda! O sol brilhou em todos esses dias que estivemos lá, deixando a memória ainda mais encantadora. Depois da torre, visitamos o Museu Egípcio. Foi a primeira vez que tivemos contato com duas múmias verdadeira, que é a atração principal do museu. Voltamos para o hotel para nos arrumar para o jantar.
Tradicionalmente todo ano, comemoramos o nosso dia num restaurante premiado. O escolhido em Curitiba foi o Barolo Trattoria, um restaurante tradicional de comida italiana. Nossa preferência cai sempre na culinária italiana, quem manda os caras manjarem muito?
Entrada, prato principal e sobremesa indicados pela casa: de entrada mozarela de búfala com presunto parma e rúcula, prato principal conchiglia com molho branco de queijos e camarões e de sobremesa um sorvete de chocolate com casca de chocolate belga e avelãs. Sim! Indicaram uma sobremesa com chocolate belga na nossa lua de chocolate belga e a gente nem comentou nada!
Noite linda! Ficamos de frente um para o outro, com os olhos e as mãos grudadas. Sorrisos, conversas, frio, comida boa... tudo do jeito que a gente queria. Era o dia, o nosso dia.
Penúltimo dia na cidade, contamos com a ajuda do nosso amigo inseparável Google pra nos dar dicas de coisas legais pra fazer. Como a temperatura lá chegou a -1º, queríamos muito tomar um chocolate quente para aquecer nossos coraçõezinhos. Não, não cansamos de chocolate. Quem me conhece sabe que sou a maior chocólatra desse planeta e o meu marido também é, então ta tudo certo.
Visitamos a loja Rose Petenucci, comemos cup cake e tomamos chocolates quentes maravilhosos. A loja é toda fofinha e eu que adoro frufru me perdi lá dentro. Ainda levei biscoitos e chocolatinhos de presente pra minha mãe e meus bolinhas (sobrinhos).
Em seguida, fizemos uma visita no Museu do Holocausto. Este museu tem várias regras como fazer um agendamento prévio, não fotografar, não entrar com objetos metálicos etc. Uma coisa que me incomodou bastante foi a maneira como o funcionário do museu falou com a gente, pois ele parecia mais um militar e deixou os visitantes um tanto tensos. Fora isso, a visita foi tranquila e o museu conseguiu nos tocar profundamente, tive vontade de chorar em vários momentos. Foi uma experiência enriquecedora.
À noite, fomos ao cinema assistir Mulher Maravilha e eu não vi nada mais que um filme de super heroína e nem quis problematizar muito. Filme clichê, mas é muito bom ver uma mulher representando um tema com tanta cueca.
Dia 19 de Julho, nosso último dia nessa cidade linda e incrível. Não queríamos apenas ir embora sem tentar aproveitar mais alguma coisa. Nosso voo estava marcado para as 21 horas então ainda tínhamos bastante tempo. Este foi o único dia em que perdemos a hora de tomar café da manhã!
O hotel serviu pães, frios, sucos naturais, leite quentinho, bolos, tortas, salgados, iogurte, granola... um cardápio bem variado e gostoso. Pulamos essa etapa e fomos direto para o almoço pertinho do hotel.
Passamos a tarde no MIS - Museu da Imagem e Som de Curitiba e vimos seu acervo fixo contendo câmeras fotográficas e de vídeo, enroladores de filmes, processador de slides, tvs e vitrolas antigas.
Finalmente estávamos nos despedindo dessa cidade incrível. Foi apenas uma viagem nacional, mas ficamos encantados com tudo que conhecemos e ficamos lá tempo o suficiente para ficar com imensas saudades.
Curitiba atendeu todas as nossas expectativas e ainda surpreendeu. Estávamos mais grudados do que nunca, estávamos tão leves, tão apaixonados... Curitiba conseguiu tornar o nosso momento ainda mais mágico.

"Atravessa o meu peito, meu
Liga o meu peito no teu
Vê se acha um conforto ao tom que eu sou"

Phill Veras - Sorriso ao Sono

<3 <3


segunda-feira, 10 de julho de 2017

O pedido

[postagem publicada no face em 18 de Julho de 2016.]

Ontem eu fiz um pedido de casamento. Estava nervosa, cansada e ansiosa para o grande dia. Nervosa pois não é todo dia que se pede alguém em casamento, cansada pois a surpresa que preparei foi trabalhosa e muito bem planejada e ansiosa pois a ansiedade está sempre presente nos momentos mais importantes da nossa vida.
Há alguns meses, pensei em preparar um jogo:
Ele gosta de vídeo game então achei que seria uma boa ideia bolar um joguinho. Mas como? Ele poderia ser uma espécie de Super Mario Bros e… e aí? Preciso de uma missão pra ele! Algo que seja diferente de salvar a princesa porque isso seria muito previsível. Poderia ter algo a ver com a gente. Objetos que lembrem a nossa história? Isso! Mas quais? Somos brotos, então o broto não pode faltar. Também preciso pensar em algum objeto que se fez importante para desenvolvermos nossas primeiras conversas. Ele poderia estar numa casa onde cada cômodo representasse um lugar e, em cada um, ele encontrasse um objeto. Nossa! Seria incrível! Mas só um é pouco, poderia ser uns 3 em cada cômodo…”
E aí começaram os projetos do pedido em meados de Março de 2016.
Nunca achei que fosse tão difícil encontrar alguém que faz games, então a ideia inicial foi descartada: um game.
A ideia do joguinho era boa, então não descartei e continuei com ela na cabeça até que tive a ideia de começar a reformar a nossa casa.
A casa, nós temos. É uma casa pequena e velhinha que foi construída pelo meu pai na década de 80. Pensamos em reformá-la juntos, mas achei que seria uma ideia incrível tentar reformar sem que ele soubesse e fazer uma surpresa à lá “The Notebook”.*
Cozinha pra montar, paredes, portas e janelas pra pintar, gabinete pra instalar… será que eu daria conta de tudo? É claro que eu precisava da ajuda de alguém mas com quem eu poderia contar que não fosse ele? Ele não poderia saber de nada pois, se não, ele gostaria de fazer tudo e eu sei muito bem disso.
A reforma da casa ainda estava muito incerta na minha cabeça, mas o jogo eu queria fazer de qualquer maneira. Pensei em fazer na casa dele, na minha casa… mas a nossa casa seria o lugar ideal e eu nunca conseguiria fazer uma surpresa como essa na vida, então determinei isso: farei a reforma lá sem ele saber.
O Eduardo, namorado da minha mãe, me ajudou com as portas, o gabinete e pia da cozinha, o armário da cozinha e meu móvel feito de caixotes. Ah… sim! Fiz um móvel com alguns caixotes que o meu amor trouxe para mim da escola onde ele trabalha.
Minha mãe me ajudou com a desocupação da casa, colagem de um tecido na parede do quarto, com a pintura das portas, a restauração de uma cama e com as panelas que eu estava precisando.
O resto, eu fiz. Pintei paredes, pintei tetos (como é difícil e cansativo!), coloquei tecidos na sala, trouxe os móveis pra casa, troquei lâmpadas, decorei com quadros e uma paleta de cores neutras e um bordô vibrante e todos os detalhes.
Vanessa, minha mãe e Eduardo também me ajudaram nos ajustes finais de uma parte importante do dia do pedido de casamento. Uma parte que é a casa reformada. Ainda restam três partes importante desse pedido: o jogo, o diário de reforma em vídeo e o nosso livro de aventuras.
Determinei que eu iria complementar o pedido dessa forma. Tive a ideia de fazer uma espécie de vlog para registrar o passo a passo da reforma da nossa casa e iria fazer o pedido, propriamente dito, no nosso livro de aventuras.
Para o jogo, precisei de fitas nas cores de cada cômodo e representante de cada lugar especial pra nós. Na sala ficaria a Outs, lugar onde nos conhecemos e a cor seria preta para representar o rock e a banda TV República que eu fui assistir sem conhecer o guitarrista: ele. Na cozinha ficaria as redes sociais representadas na cor azul pois no facebook, no twitter e no msn é a cor que prevalece. No banheiro, a Avenida Paulista representada na cor verde para simbolizar as estações do metrô e, por último, o lugar que chamamos de “nosso jardim”: Parque do Ibirapuera. Ficou no quarto, representado pela cor vermelha que é a cor do nascimento de uma chama “que arde sem se ver”.
Os objetos foram decididos cuidadosamente: Smirnoff Ice, cachecol, ingresso da TVR, broto, primeira conversa no facebook, brigadeiros, livro, cup cake, sabonetes e o nosso Livro de aventuras. Em cada cômodo da casa, ele achou três e no quarto só havia o nosso Livro de Aventuras.
Cada objeto estava envolvido numa fita da sua cor representativa e, para cada um, uma carta impressa dentro de um envelope também na mesma cor.
Para o Livro de Aventuras, imprimi algumas fotos nossas, usei papeis e canetas coloridas para dizer tudo que eu estava sentindo. No final, a pergunta: você gosta de namorar comigo? Do mesmo jeito que ele me perguntou quando me pediu em namoro: “Você gosta de ficar comigo?”. Ele tinha a opção de escolher o “Não” que era uma cartinha dentro de um envelope com um bonequinho triste e o “Sim” com a pergunta: “Então… Casa comigo?”.
Quando ele entrou na casa, ficou muito surpreso e disse “O que é isso aqui? Meu deus! Você fez tudo isso?” Entrou no jogo rapidamente e foi encontrando os objetos lendo cada uma das cartas cuidadosamente. A cada objeto encontrado e a cada carta lida eu ganhava um beijo, um abraço, palavras sinceras, sorrisos e um cubinho de gelo a mais na minha barriga esperando o momento do pedido.
Foi colocando os objetos na mesa na medida em que os encontrava e chegava a desacreditar que estava ali naquele momento.
Ele abriu o envelope “Sim” e, além do grande pedido, nossas alianças presas numa fita que saíram do envelope ao passo que ele puxava o papel. Seu segundo “Sim” foi imediato e, para o meu alívio, seguido de um beijo e um abraço. Felicidade existe e estava conosco naquele momento.
Para esse jogo, não havia poesia em forma de música melhor do que “A Casa é Sua” do incrível Arnaldo Antunes. Não escolhi a música, ela me escolheu. Enquanto eu ficava trabalhando em galerias de arte no centro de São Paulo, ficava cantarolando ela na cabeça o tempo todo. Até o dia que eu tive certeza de colocá-la: Arnaldo Antunes fez uma visita em uma das galerias do espaço que trabalho. Lá havia algumas obras dele e ele foi prestigiar os curadores que também são seus grandes amigos. 
Quis relatar essa experiência pois foi um dia imensamente importante pra mim e agradeço aqui todos que me ajudaram com algo. Em primeiro lugar, o Eduardo que não mediu esforços para vir me ajudar no que eu precisava. Minha mãe por dar o primeiro passo para que as coisas fluíssem aqui quando eu ainda não conseguia reconhecer a casa como meu espaço, Fabiana por me ajudar com os incríveis brigadeiros com toque de vinho do Porto, Vanessinha que mesmo com o braço doendo perguntou no que eu queria ajuda e aos que gostariam muito de ter vindo ajudar mas por algum motivo não conseguiram.
Sejam criativos nos pedidos de vocês. Tenham autoconfiança e acreditem que tudo vai dar certo e, se não der, é porque o certo não era aquilo.



*Romance de Nicholas Sparks que conheci primeiro através do filme, que eu amei, e em seguida li o livro que odiei. No filme, a cena mais linda é quando a Allie acorda envolvida num cobertor bordô e olha pro espaço do Noah na cama e encontra uma flor com um bilhete dizendo algo do tipo “Saí mas não demoro. Preparei uma surpresa. Siga as setas.” e ela vai correndo saber o que lhe espera. Ao chegar num lugar, ela fica maravilhada em saber que ele construiu o ateliê que ela pediu quando eles namoravam.


"Eu vou te acompanhar de fitas, te ajudo a decorar com o 'Dias'"

Há quase um ano, eu fiz um pedido de casamento. Sem que o meu noivo soubesse, reformei a nossa casa. Foi um trabalho árduo que fiz com muita empolgação, alegria, carinho e amor. Em cada cômodo da casa, escondi três objetos que fizeram parte da nossa história. No último cômodo, peguei o nosso livro de aventuras e fiz uma pergunta seguida de um pedido: "Você gosta de ficar comigo? Então... Casa comigo?" assim como ele fez quando me pediu um namoro.
Este pedido foi planejado para ser feito em 17 de Julho de 2016 pois já tínhamos comentado sobre casar no ano de 2017.
Foi um dia lindo e muito especial. Foi um "sim" recebido resultando num suspiro de alívio por saber que tudo tinha valido a pena. Um "não" também teria, visto que durante a minha vida, adquiri um amor próprio tão maravilhoso que nada poderia me deixar menos orgulhosa do meu esforço.
Antes do Felipe, eu estava feliz. Eu tinha consciência de que eu precisava cuidar muito bem de mim pois sou o bem mais precioso que possuo e que nada do que eu fizesse por mim, seria em vão. Ele veio com esse jeito de ser incrível para me transbordar já que eu já me via completa diante de tanto amor e cuidado que eu tinha por mim mesma.
Decidir me casar num tempo como esse em que as pessoas estão cada vez mais conscientes de que são completas não foi uma forma de voltar atrás em tudo o que eu havia ganho de experiência comigo, mas uma maneira de assumir que na vida nós somos acolhidos e abraçados por outros seres que tornam o companheirismo um item essencial de sobrevivência.
Casar não significa me desfazer das coisas e pessoas que mais amo para dar prioridade ao meu marido, mas entender que dois continuam sendo dois e que a troca de experiências e sentimentos sempre somam e jamais diminuem.
O desafio de você continuar sendo você e respeitar uma outra pessoa que convive contigo traz um maravilhoso aprendizado e eu ainda estou só começando. Aliás, nós estamos.
Após receber o "sim", sentamos para saber como comemoraríamos esse momento tão especial.
Uma grande festa? Um jantar? Uma viagem? Uma reforma na casa? Eu estava muito empolgada! Já o Felipe, queria pensar sobre isso depois.
Sentamos novamente e novamente até que as nossas vontades encontraram um equilíbrio: Uma viagem.
Talvez aí, comecei a entender o "você precisa abrir mão de muita coisa" que as pessoas tanto falam. Eu discordo. Acredito que não seja abrir mão pois se você passa a abrir mão das suas vontades é porque as vontades da outra pessoa estão anulando as suas, e isso não é bom. Como eu disse, o equilíbrio é a chave para que nenhuma vontade seja anulada e isso exige muito diálogo e companheirismo.
A viagem foi decidida, vamos para Curitiba. Gostamos do frio, é um lugar que ainda não conhecemos e não é tão longe, perfeito!
Ao contar para os amigos, vieram as cobranças: Não vai ter festa? Mas nem um churras? Mas nem um bolinho? Mas tem que ter alguma coisa...
E agora? Perguntei pra ele. As pessoas vão sentir falta de uma reunião comemorativa... Já sei! E se a gente pedisse pro pessoal organizar um bolinho? Perfeito!
Perguntei para os que mais sentiram falta de uma comemoração: Livya e Manno.
Eu: Livya, o que você acha de organizar com o Manno um bolinho pra nós? Seria o presente de vocês.
Livya: Oba! Sim! Adoro festa!!!
Então confiamos a eles organizarem um bolinho em comemoração ao casório.
Eu e o Felipe somos ateus, então não realizaríamos nenhuma cerimônia na igreja. Seria apenas a cerimônia no cartório, a festinha dos cunhados corujas e a viagem.
Durante o processo de organização da Livya, as perguntas: Uma cor que vocês gostam? Uma frase marcante? Passem os contatos de 50 pessoas...
Isso começou a nos preocupar um pouco. 50 pessoas? Era só um bolinho...
Passei os contatos e ela foi combinando com todos eles o que seria a nossa festa. Eu e o Felipe só escolhemos a data: Dia 08 de Julho de 2017. Dia em que comemoramos 6 anos que nos conhecemos.
Uma breve explicação para os observadores: Nos conhecemos dia 8 de Julho de 2011 e 9 DIAS depois, começamos a namorar. Sim, foi muito rápido e é muito bom saber que nós não perdemos tempo. 17 de Julho é um dia muito especial pra gente.
As pessoas foram confirmando aos poucos, outras cancelando, algumas pessoas queriam entender melhor a proposta da comemoração e eu e o Felipe não sabíamos nada. Tivemos que perguntar para os cunhados como seria a comemoração e estragar a surpresa, mas ficamos mais aliviados depois de estarmos cientes de tudo: Um almoço num restaurante em Mairiporã.
Eles fizeram convites (que ficaram absurdamente lindos), Livya e Glalcia caçaram objetos de decoração, pensaram nas lembrancinhas... Tudo decidido com muito cuidado.
Com certeza tem muita coisa que eu não sei, de todo o trabalho que eles tiveram mas mesmo assim eu sou muito, muito grata a tudo. O Manno ainda faz questão de dizer que a Livya é a grande responsável por tudo.
Não tivemos nenhuma etapa tradicional no nosso casamento, a não ser o cartório que é o mais burocrático de todos. Não queríamos chá de cozinha, chá bar, chá de lingerie, despedida de solteiro, padrinhos e madrinhas no altar... Nada disso. Sabem como é: Ateus, feministas, virginianos... Haja paciência de ambos os lados. Apesar disso, faríamos uma viagem que vão chamar de lua de mel, mas gostamos de chamar de lua de chocolate belga, porque né? Entre mel e chocolate belga, somos mais o chocolate mesmo.
As alianças foram dadas pela minha mãe. São as alianças que ela e meu pai casaram. Senti-me honrada e eu não faria questão de comprar novas alianças pois, como eu disse, não somos muito tradicionais. Acho importante usar uma aliança pois facilita a comunicação na hora de crushar e poupa muito o meu trabalho na hora de dizer que sou comprometida. Decidi ter um relacionamento monogâmico e não sinto vontade de estar com mais ninguém. Isso me ajuda e poupa diálogos desnecessários.






Os dias foram passando e a data do casamento foi marcada: dia 6 de Julho de 2017. Não foi uma data planejada, apenas uma data que foi acordada entre nós e foi isso.
Meus amigos Hudson e Patrícia foram até o cartório com a gente testemunhar a marcação do casamento. Sim, precisa disso. Que coisa, não? Ainda bem que eles toparam ir e eu gostei muito que eles estavam presentes.
Além da tradicional cerimônia no cartório, também gostaríamos de nomear nossos padrinhos e nossas madrinhas.
Pensamos num presente que simbolizassem brotos. Brotos para decorar e iluminar os dias mais especiais de pessoas que amamos. Compramos flores de lotus em vidro e uma base de luzes coloridas.



O critério foi escolher as pessoas que mais estiveram próximas de nós, que contribuíram e que aceitaram o nosso amor de forma sincera e acolhedora: Vanessa, Nidinho, Glalcia, Junior, Livya, Manno e Grayce.
Claro que temos outros amigos que abraçam a nossa causa, mas fizemos questão de destacar cada um deles pois percebemos que há luta para a nossa defesa e, isso, nem todos têm.
Fizemos hambúrgueres em casa e chamamos eles para estarem presentes neste dia. Fizemos uma cerimônia de entrega dos brotinhos. A cada descrição de uma pessoa importante, acendia uma flor na nossa sala escura e quando todas as flores estivessem acesas, outras luzes se acenderam.
Não sei se descrevendo dessa forma, deu pra ter uma ideia do que foi esta noite. Pra mim, ela foi muito especial.
Eis o texto com a descrição de cada um deles:


"A reunião de hoje é mais do que uma vontade de tê-los por perto nesse dia. É um agradecimento por estarem sempre presentes e um pedido: queremos a presença constante de vocês em nossas vidas.
Vocês receberam o nosso amor de braços abertos e contribuem para que o nosso jardim esteja sempre repleto das mais belas flores.
Somos muito gratos pela companhia, preocupação, cuidado e dedicação que vocês tiveram e têm com a gente.
Nossa história foi regada de conversas sinceras, risadas, desabafos, abraços e todos os sentimentos mais nobres possíveis doados por vocês e, disso, surgiu uma enorme admiração por vocês.
Mais do que nossos grandes amigos e irmãos. Queremos, também, vocês como padrinhos e madrinhas da nossa união formal.
Vanessa, você foi uma das primeiras pessoas a abraçar a nossa causa. É alguém que confiamos muito e que, apesar da distância, sabemos que aposta tudo para nos ver bem. Queremos o mesmo para você.
Nidinho, um menino de ouro. Com a sua inocência e seu coração bom trouxe muita harmonia para nós. Somos honrados por ter pessoas como você compondo nosso laço afetivo.
Glalcia e Junior, grandes amigos de longa data. Glalcia, com a sua alegria e euforia conseguiu fazer sorrir nossos corações.
Júnior, às vezes sério, às vezes risonho, traz o equilíbrio, item essencial para qualquer relação dar certo. Vocês são parte importante do deslumbre que é o nosso amor.
Livya e Fagner, cunhados corujas!
Livya, cuidadosa e extrovertida, sempre abraçou nosso sentimento de forma sincera. Fagner, mais conhecido como Manno, com seus papos filosóficos e questionadores sobre o mundo, faz surgir os "papos cabeça", combustível para boas conversas.
Grayce, você fez, mesmo que de forma indireta, nossas vidas se encontrarem. Toda a sua pureza e confiança fazem de ti um elo essencial para as nossas vidas.
Somos brotos. Brotos simbolizados nessas pequenas flores e vocês são a nossa poesia, simbolizados na luz.
Pedimos para que continuem nos regando com sentimentos bons e saibam que vocês sempre terão o perfume de nossa parte, que é apenas resultado de todo cuidado depositado em nós. Conte com a gente, também, para mais sorrisos, conversas, abraços, desabafos e apoio.
Gratidão."

As coisas foram acontecendo e o dia estava cada vez mais próximo.
Muita coisa boa e ruim aconteceram nesse meio tempo e só quem estava muito próximo de mim, sabe como foi difícil e maravilhoso entender certas coisas. O nervosismo tomava conta de mim a cada dia e eu perguntava: Broto, você não está sentindo nem um friozinho na barriga? E ele disse: Não. Estou certo disso e na prática as coisas não vão mudar.
Pensando bem, ele está certo. Já temos um convívio a dois, eu o conheço bem e se caso algo começar a desandar, não é o desespero que vai resolver os nossos conflitos.
6 de Julho de 2017. Acordamos cedo, nos arrumamos e fomos pro cartório com nossas testemunhas e minha amada mãe.
A cerimônia durou uns 5 minutos e eu adorei porque deu pra aproveitar melhor o dia e eu senti coisas tão boas, me senti tão leve e feliz. Talvez eu tivesse sentido a tranquilidade que o Felipe queria que eu sentisse há muito tempo.
Olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, sorrisos trocados e paz. Cada detalhe contribuiu para que uma cerimônia de 5 minutos durasse a vida inteira dentro da gente.





Eu estava certa e não me vi assim só naquele momento. Eu sabia e sei que eu não tenho que me privar de ser eu pra agradar ninguém, que eu me encontrei completa e toda a chuva que tiver de passar por aqui, eu mesma cuidarei de secar porque é isso que me faz ser eu e me amar assim do jeitinho que eu sou.
Um dia, num momento de devaneio/sonho/sono eu me vi deitada no meu colo, me consolando da dor. Ali eu entendi que o principal casamento tem que acontecer da gente com a gente antes de acontecer com um outro alguém. Isso aconteceu bem antes do Felipe entrar em minha vida.
Acredito que o amor seja o sentimento mais nobre que existe e nunca entendi porque as pessoas o relacionam com a dor. Amor não é dor, definitivamente. Ele, na sua essência mais pura é o que traz a plenitude da felicidade.
8 de Julho de 2017. Dia do almoço que ganhamos de presente.
Ao chegarmos no local, já tinham algumas pessoas esperando a gente e que não receberam com palmas.
O lugar se chama "O velhão" e fica em Mairiporã. Um lugar muito bonito, acolhedor e com uma comida maravilhosa.
A mesa estava deslumbrante, os convidados estavam felizes, o tempo estava muito agradável e eu estava extasiada. Como foi lindo!








Recebemos muitas palavras de amor e carinho, fomos abraçados por todos de uma forma tão sincera que me fez chegar num nível muito alto de felicidade.
Naquele dia, senti sim a falta de algumas pessoas queridas. Algumas que não puderam ir, outras que eu não pude levar comigo e, claro, meu amado pai.
Com certeza, ele iria brigar comigo por eu ter cortado tanto o cabelo, mas não tenho dúvidas de que ele transbordaria felicidade comigo.
A comemoração desse evento lindo ainda não acabou. Ainda faremos a viagem pra Curitiba e comemoraremos o nosso dia 17 lá.
Aos meus cunhados corujas, imensa gratidão! Não apenas pelo almoço mas por estarem sempre presentes com a gente, fortalecendo nossa amizade e nossa união.
Aos nossos amigos queridos, vocês são o brilho que precisamos os nossos dias. Sempre com a gente e que seja sempre assim.
Aos padrinhos e madrinhas, a presença de vocês também foi mágica pra nós. Grande abraço a todos e permaneçam por perto.
Aos nossos familiares presentes, honra e prestígio me definem quando falo em vocês. Estaremos aqui para tudo que precisarem e sei que podemos contar com o amor de vocês para sempre.








Meu Paizito, se estivesse aqui, estaria muito feliz e tranquilo em saber que tenho comigo uma pessoa incrivelmente maravilhosa.
Ao meu amor, meu broto, meu grande amigo e companheiro. Aprendo muito com você e gosto de saber que também lhe passo bons ensinamentos. A troca de experiências e o nosso companheirismo são a fortaleza do nosso amor. Eu te amo muito.



Agradeço muito a paciência de quem dedicou-se ao texto também.
Obrigada.

Ps.: Para quem quiser saber mais sobre o meu pedido de casamento: http://defatimaoficial.blogspot.com.br/2017/07/o-pedido.html