Às vésperas dos meus 30 anos, encontrei-me numa
situação impactante: serei mãe.
Claro que não foi desse jeito que o teste
de gravidez me deu a notícia.
Casada há um ano e vivendo intensamente a
vida ao lado da pessoa mais maravilhosa que conheci, decidi que aquele seria o
meu presente (sentido temporal) mais longínquo.
Notem que eu disse "decidi", ou
seja, seria dessa forma e pronto.
Pois, bem. Num final de semana prolongado
de folga, decidi fazer um passeio com o Felipe (marido), Manno e Livya
(cunhados) num parque aquático.
Nosso passeio foi muito divertido, apesar
de algo me preocupar bastante: meus seios estavam doloridos e em uma das paradas
à padaria, o cheiro do pão me fez enjoar.
Estranho, mas nada grave a ponto de fazer
eu deixar de aproveitar o passeio.
Voltamos pra casa, descansamos e no dia
seguinte o Felipe foi trabalhar normalmente.
Eu, sortuda, continuei de folga e
aproveitei para dormir o dia inteiro. Eu nem queria dormir o dia inteiro, mas
meu corpo pediu e eu aceitei.
Comentei com o Felipe sobre as estranhezas
que estavam acontecendo comigo e acrescentei mais uma: era pra minha
menstruação ter vindo ontem.
Tudo bem, nada de pânico. Pede pra ele
trazer um teste de gravidez na volta do trabalho e tira logo essa dúvida chata.
A dúvida só era chata porque decidimos que
não teríamos filhos. Nunca. Pra quê, né? Estava tão bom assim que gostaríamos
de permanecer com essa liberdade.
Notem que eu disse "decidimos",
ou seja, seria dessa forma.
Fiz o xixi no copinho e mergulhei o teste.
A linha vermelha apareceu bem forte. Corri para pegar o manual de instruções e
li que se a linha vermelha aparecesse, era positivo. O positivo significava que
eu estava grávida.
Saí correndo do banheiro chamando ele:
Broto! Brotooooo!!!! BROTOOOOOO!!!
Cada vez que eu o chamava, meus olhos
cresciam e meu coração disparava ainda mais: onde é que ele foi num momento tão
importante quanto esse?
Ele aparece: estava tentando lavar o
quintal de casa. Afinal, era só eu fazer logo o teste e tirar essa dúvida
chata.
Chorei. Chorei muito. Chorei sentada, com
as mãos no rosto, a mão do Fe em meu ombro e o choque, pois apareceu a linha
vermelha, que era positivo, que era grávida.
Não serei mais eu, não terei mais a minha
liberdade, não viverei pra mim e sim para um outro ser... já era, já era...
Com o rosto completamente molhado, olhei
pra ele e disse: e agora? Esperando que ele me falasse algo que me confortasse
como ele costuma sempre fazer.
"Agora a gente precisa de calma. Estamos
juntos e não é de hoje. Você não está sozinha, eu estou com você e eu te amo,
não precisamos entrar em desespero, ta? Fica calma, meu amor", ele disse.
Não estou romantizando, não foi exatamente
com essas palavras, mas ele me olhou nos olhos com aquela serenidade que ele tem
e me disse palavras que me fizeram dar um sorriso e parar de chorar por alguns
minutos.
Pedi mais um teste. Vai que aquele estava
errado, né?
Ele saiu, comprou outro teste e voltou. A
linha era azul dessa vez. A linha azul significa positivo e positivo significa
grávida.
Já era noite e amanhã não tem mais folga.
Vamos dormir que depois a gente pensa direitinho nisso tudo.
O dia seguinte foi caótico: não consegui
chegar no trabalho. Eu estava chorando muito e com a cabeça a mil, jamais
conseguiria me concentrar falando de patrimônio histórico com as pessoas.
Encontrei a minha irmã Vanessa, que me ouviu, me acalmou, que acolheu e ficou
comigo num momento que eu precisava demais.
Minha amiga Glalcia também abraçou a minha
notícia e felicitou-me sem que eu, ao menos, estivesse entendendo direito o que
era tudo aquilo. Eu só tinha decidido que eu não queria.
Felipe ficou calado o dia todo no
trabalho. Fez sua função de forma quase que automática, segurando dentro de si
um turbilhão de sentimentos e questionamentos que não poderiam ser revelados
ainda.
Ainda pela manhã, ele mandou uma mensagem
para a rádio que ele ouve um programa todos os dias e disse "Minha esposa
está grávida e não era planejado. Me diz uma palavra de apoio aí."
A palavra de apoio veio do apresentador* ao
interromper uma música para dizer: Gente, peraí. Eu parei a música porque o Felipe Chaves mandou uma mensagem aqui no Twitter tão fofinha. Ele falou que vai ser pai, que ele e a esposa dele estão com medo e não estão sabendo lidar com isso e pede pra eu mandar uma mensagem de força pra ele. Bem, Felipe, força aí! Brincadeira. Cara... Felipe, não tem porque ficar com medo. Ser pai é a coisa mais maravilhosa que a vida pode dar, é muito legal! Eu sou pai de duas meninas lindas e... cara... Fica tranquilo e curta essa nova vida porque é muito legal, beleza? Vamos de som!"
À noite, conversamos sobre a nossa
novidade. Começamos uma conversa dispostos a traçar ali um destino que
seguiríamos sem olhar para trás.
Finalmente conseguimos respirar depois do
baita susto, vamos ter um bebê e isso pode ser muito bom.
Cheguei a fazer um terceiro teste que não
tinha linha nenhuma, era a palavra mesmo que gritava pra mim: Grávida. Era isso
mesmo, chega de tentar achar que pode ter dado algo errado.
Uma das coisas mais maravilhosas de se
fazer é contar para as pessoas mais próximas que você e o seu amor estão
esperando um bebê. O certo seria começar a contar a partir do terceiro mês, mas
quem é que aguenta?
Depois do susto, conversei melhor com a
Vanessa e, aliviada, disse que ela seria tia. Glalcia, que também está grávida
com apenas três semanas de diferença de mim, ficou muito feliz com tudo desde o
começo e me acolheu com o seu amor de amiga-irmã. (Escrevi um texto sobre o
casamento dela que é "Coral é a cor mais quente" pra quem quiser ler
e é um dos meus textos preferidos do blog).
Aproveitei a situação da Glalcia para
contar a novidade para a minha mãe. Chamei ela, pedi pra ela sentar no sofá da
sala com o Felipe e disse:
- Mãe, a Glalcia está grávida, né?
- Sim, que legal, né?
- É, e eu também estou.
- Sério, bem? Verdade mesmo?
O sorriso da minha mãe foi crescendo à
medida em que seus olhos enchiam de lágrimas. Ela levantou do sofá e veio me
abraçar. Ficamos abraçadas e ela dizia: o tanto que eu pedi pra deus! Pqp! Deus
escutou tudo que eu pedi pra ele! Pqp! Eu to feliz, viu bem? Eu to feliz!
É claro que ela não poderia deixar de
falar do quão feliz o meu pai estaria se estivesse ali para receber a notícia
junto com ela. Ele estaria, com certeza, muito feliz.
Contar para os meus sogros envolveu uma
ideia especial. Colocamos os testes que fiz numa caixinha e escrevemos bilhetes
"Parabéns, vovó!" e "Parabéns, vovô!"
Chegamos na casa deles a noite e chamamos
os dois. O dia dos pais tinha sido há poucos dias, então o Felipe disse que
levaria um presentinho para o meu sogro e, consequentemente, levaríamos para a
minha sogra também.
Entregamos as caixinhas, eles abriram. Meu
sogro, Donda, ficou com o teste sem linha nenhuma, o que estava escrito logo
"Grávida" e minha sogra, Nadja, ficou com o primeiro teste da linha
vermelha.
Nadja já havia perguntado muitas vezes ao Felipe sobre ter um neto dele e ele sempre foi muito firme na resposta: não teremos. Foi tão firme que ela tinha até desistido de pensar na ideia.
Donda viu o teste, olhou pro Felipe com um
sorriso bem largo dizendo "É mesmo!?"
Nadja viu que dentro da caixa tinha algo
parecido com um termômetro e um bilhete de "Parabéns, Vovó!" que a
Meg, nossa cachorrinha, poderia ter... escrito?
- Não tem como! O que a Meg quer dizer com
isso? O que é isso?
- A Aline está grávida, mãe.
Nadja levantou com tudo da cadeira
gritando: ATÉ QUE ENFIM!!! TODO MUNDO DA MINHA FAMÍLIA JÁ TEM NETO, MENOS EU!
VOCÊS DEMORARAM DEMAIS, MAS ATÉ QUE ENFIM EU VOU SER AVÓ!!!
Iluminando toda a nossa insegurança, a
euforia deles deram espaço a um suspiro aliviado de saber que estamos sendo
abraçados por todos eles.
Estávamos cercados de pessoas felizes com
a nossa notícia e isso ajudou muito a não termos do que temer. Uma criança está
vindo ao mundo, a nossa criança. Ela será cercada de amor e carinho, então não tínhamos
mais porque sentir desespero.
Pré Natal, exames, ultrassons... os
próximos passos foram dados com serenidade e cuidado com o nosso brotinho.
No primeiro ultrassom, vimos o formatinho
dele e vimos que ele gosta muito de dançar. Estava se movimentando bastante
apesar de eu não conseguir sentir por causa das minhas poucas semanas de
gestação. Ele ou ela estava realmente lá, era verdade. Engraçado como eu me
senti aliviada em saber que havia mesmo uma outra vida dentro de mim.
Também ouvimos o coraçãozinho bater, que
emocionante!
"Quando o brotinho nascer...",
"quando o brotinho tiver uns 5 ou 6 anos...", "quando o brotinho
quiser fazer X coisa..." o nosso assunto agora era esse no meio de tantos
outros assuntos tensos como eleições 2018 ou assuntos cotidianos no geral.
Nossos cunhados estavam ansiosos pra saber
logo o sexo do brotinho. A Livya, que adora uma festa, já sugeriu que
fizéssemos um Chá Revelação e que entregássemos o resultado do exame pra eles
assim que saísse, sem que a gente soubesse.
Felipe gostou demais da ideia, então
decidimos fazer. O ultrassom seria feito no dia 12/11 e, se fosse possível ver
o sexo, faríamos a revelação no dia 15/11, feriado.
O médico entendeu que queríamos fazer o
chá, então se esforçou para não contar qual era o sexo do brotinho (que ele
tinha visto com menos de 5 segundos da maquininha encostada na minha barriga.) Ele ficou brincando, perguntando se realmente não queríamos saber já naquela
hora. Falamos que não, que iríamos aguardar uns dias pra saber.
- Eu só digo uma coisa pra cada um de
vocês: você vai ficar muito feliz, mamãe e o papai vai ficar bobo.
Normal. Todos os médicos devem dizer isso
a todas as mães e todos os pais desse mundo, belo spoiler.
Pegamos o envelope lacrado e fomos embora.
Estava ali na nossa mão o resultado. Será que era um menino ou uma menina?
Fiz várias brincadeirinhas bobas pra saber
qual o sexo. Nenhuma delas têm fundamento, mas era só pra brincar: fiz a tabela
chinesa, fiz a brincadeira do garfo e colher, menininhas grudaram muito em mim
e tudo indicava a mesma coisa: era menino.
Comecei a pensar que poderia realmente ser
um menino, mas se fosse uma menina... Se fosse uma menina, seria tão incrível.
Mas vamos lá, acho que é um menino mesmo.
Meu broto estava achando o mesmo e nós
ficávamos falando das vantagens de ter um menino e ter uma menina. Basicamente,
são as mesmas... mas, né? A gente sempre fica lá imaginando como seria.
Se for menina poderia ser Aimé, Adriana,
Fernanda também é legal... Flora... Flora? Caralho! Flora!!! Se for menino
poderia ser Arthur, Fabrício, Plínio.... Renato... nossa! Renato por causa do
Renato Russo! Seria bem legal!
Queríamos um nome que não estivesse tão em
alta. Tem tantos Enzos e Valentinas que decidimos fugir dessas enxurradas de
nomes do ano e focamos em nomes mais "esquecidos" ou diferentes.
Pronto, já estava decidido: se fosse
menina seria Flora e se fosse menino seria Renato.
Chega o tão esperado dia 15 de Novembro e
nós estávamos muito ansiosos para saber o sexo do nosso brotinho. Apesar de
acharmos firmemente que era menino, vai que vem uma menina, né?
- O que você gostaria que fosse? eu
perguntei pro broto.
- Eu acharia bem legal se fosse uma menina
e você?
- Eu gostaria muito que fosse uma menina.
Mas é menino, eu acho.
- Eu também, acho que é o Renato.
Nessa agonia toda, fomos até a casa dos
meus sogros, onde seria a revelação.
Pessoas da nossa família, os mais próximos
estavam lá, torcendo pela Flora ou pelo Renato com sorrisos no rosto apesar de
estarem felizes independente do sexo.
A Livya é muito caprichosa! Ela decorou a
festa com as cores rosa e azul para fazermos a nossa tarde de revelação e
organizou o momento chave do anuncio enquanto auxiliava o Manno e a Nadja nos
preparativos do almoço.
Quando estávamos todos reunidos, Livya
pediu para sentarmos um do lado do outro para que ela e o Manno pudessem ler
algumas palavras pra gente.
Manno perguntou para o Felipe o nome de
uma música do Cícero ele disse "Vagalumes Cegos".
A música começou a tocar, tocando junto os
nossos corações "Nem sei, dessa gente toda, dessa pressa tanta...". O
choro tomava conta de nós dois, nós três, quatro... tinha bastante gente
chorando.
Chorando a ponto de não conseguir ler o
texto, o Manno respirava fundo e tentava ler de todas as formas, mas não dava.
A Livya decidiu ler, chorando mesmo:
"Queridos mamãe e papai,
Não falta muito para eu chegar, e mal
posso esperar para ver o mundo lá fora. Como sei que minha chegada e minhas
primeiras semanas ao lado de vocês não serão fáceis, escrevo aqui alguns
conselhos para quando a responsabilidade pesar e se sentirem desapontados
comigo ou consigo mesmos.
Eu já os conheço e os amo pelo som de suas
vozes e pelo amor que, aqui de dentro, já posso sentir. Sei que vocês querem
ser os melhores pais do mundo e, provavelmente, estão cheios de expectativas e
inseguranças. Mas meu primeiro pedido a vocês é que, por favor, não exijam
muito de mim e nem de si mesmos. Assim como eu serei um bebê recém-nascido,
vocês também nascerão enquanto pais, e nós três somos fortes e resilientes o
suficiente para suportar muitos dos erros naturais que vocês cometerão. Tudo o
que vocês fizerem com amor não pode me prejudicar.
Nos permita seis semanas após o meu
nascimento. Seis semanas sem exigências, sem julgamentos, sem esperar que eu me
comporte de alguma forma pré-definida. Nessas seis semanas, eu vou crescer, me
desenvolver, amadurecer e me tornar mais estável e previsível. Nessas seis
semanas, a mamãe, principalmente, deve relaxar, descansar e permitir que seu
corpo volte ao normal. Eu vou ficar bem, se você tirar uma soneca junto comigo,
não se preocupe.
Veja bem, aqui dentro, eu não sei o que é
fome. No mundo lá fora, eu vou sentir isso nas horas mais inapropriadas e posso
me desesperar. Me perdoe e, por favor, me alimente quando eu pedir. Relógios e
o tempo significam muito pouco para mim no início da vida. Em todos esses
meses, eu nunca estive sozinho. Pelo contrário, desde que passei a existir, eu
tenho estado envolto pela mamãe. O meu nascimento pode ser um choque e vai
levar um tempo para eu me acostumar. Por favor, me segure, abrace, beije,
toque, me acaricie e me ame sempre que você puder. E me perdoe se eu choro
muito. Meu choro é a única maneira que eu tenho de dizer a vocês que algo está
errado. Eu vou chorar com frequência no início. Conviva comigo dessa forma e eu
prometo que, aos poucos, vou amadurecendo e me socializando mais.
Por favor, mamãe e papai, encontrem tempo
para me conhecerem, para descobrir quem eu sou, para me entenderem. Tenho muito
de vocês, mas dediquem algumas horas por dia a encontrar os detalhes que me
tornam uma pessoa única. Se vocês me observarem atentamente, eu poderei lhes
contar as coisas que me agradam, que me consolam e me acalmam, e a nossa
relação será cada vez melhor. Por favor, não fiquem desapontados quando eu não
agir como o bebê que vocês sempre sonharam. Como eu disse, eu sou uma pessoa
única e, apesar de não ser perfeito, eu amo vocês com todo o meu coração.
Também não espero perfeição em retorno, portanto se perdoem pelas falhas que
cometerem. No meu coração, eu já perdoei tudo o que vier a acontecer.
Por último, mamãe e papai, eu preciso que
vocês cuidem de si mesmos, da sua saúde e do seu relacionamento. Apenas com o
corpo e mente saudáveis vocês serão capazes de me proporcionar a vida que vocês
sonham. Eu preciso de vocês fortes, dispostos e felizes para que eu cresça
feliz também.
Eu já desenho os seus rostos na minha
mente.
Do seu bebê, que te ama de todo o
coração."
Aplaudimos emocionados e partimos para o
momento mais esperado do dia: a revelação.
Tinha uma caixa pendurada no teto com duas
fitas: uma rosa e uma azul. Livya pediu para eu escolher uma e o Fe outra e puxar no sinal que ela der. Ela
perguntou uma última vez: E aí, o que é que vocês acham?
Gritam menino, menina,
Flora, Renato, levantam plaquinhas...
- Puxaaaa!!! (A fita) Devagar.... devagar...
E aquele suspense todo agoniando todo
mundo.
Caiu a primeira bexiga que parecia ser neutra e não deu muito na cara o
que era. Eu fui logo abrindo a caixa para ver o que mais tinha nela e vi uma
bexiga rosa. Procurei outra bexiga para ver se não tinham misturado as cores na
caixa. As outras bexigas também eram rosa.
Livya grita: É MENINAAAAAAAAA!!!
Chorei. Segundo a Livya, em menos de uma
piscada caíam três lágrimas de uma vez do meu olho, molhando todo o meu rosto.
Dessa vez, o choro era de alegria. Dessa vez, o choro era de felicidade. Dessa
vez, o choro era de uma alegria desesperadamente feliz.
Abracei o meu broto pela primeira vez
sabendo que o que eu carregava dentro de mim era uma menina. Era a Flora que
estava ali o tempo todo, naquele momento que eu vi os testes positivos, quando
contei pra Vanessa, pra minha mãe, pros meus sogros... ela que estava ali, toda
serelepe dançando no ultrassom, com aquele coraçãozinho batendo forte e bem
rápido e era ela quem estava ali comigo, com aquela música na minha cabeça
dizendo "Nem sei..."
Eu nem sabia que ficaria tão feliz, que eu
viria a felicidade estampada no rosto de cada pessoa que me abraçava, que todos
os planos que a gente não queria fazer para a Flora poderiam ser feitos agora
porque tínhamos essa confirmação, era ela.
Como é significativo pra mim saber que eu serei sua mãe e farei o possível para que a nossa significância e valores como mulheres inseridas nessa sociedade patriarcal seja uma resposta de amor e resistência, enchendo de força essa nossa causa de igualdade que é tão necessária e importante.
Se hoje a minha voz incomoda, incomodará muito mais ao longo dos anos que a minha filha crescer.
Se hoje eu sinto medo, trabalharei para que ela sinta todo o peso da sua força.
Se às vezes me sinto insegura, procurarei nela a segurança e o valor que ela me deu ao me tornar mãe.
E, assim, ela florescerá.
Será o compromisso que eu e o meu broto teremos com o mundo e a nossa contribuição para que ele seja cada vez melhor.
*Zé Luiz, apresentador do programa Do Balacobaco na 89.1, a rádio Rock.