terça-feira, 20 de novembro de 2018

Florescendo


Às vésperas dos meus 30 anos, encontrei-me numa situação impactante: serei mãe.
Claro que não foi desse jeito que o teste de gravidez me deu a notícia.
Casada há um ano e vivendo intensamente a vida ao lado da pessoa mais maravilhosa que conheci, decidi que aquele seria o meu presente (sentido temporal) mais longínquo.
Notem que eu disse "decidi", ou seja, seria dessa forma e pronto.
Pois, bem. Num final de semana prolongado de folga, decidi fazer um passeio com o Felipe (marido), Manno e Livya (cunhados) num parque aquático.
Nosso passeio foi muito divertido, apesar de algo me preocupar bastante: meus seios estavam doloridos e em uma das paradas à padaria, o cheiro do pão me fez enjoar.
Estranho, mas nada grave a ponto de fazer eu deixar de aproveitar o passeio.
Voltamos pra casa, descansamos e no dia seguinte o Felipe foi trabalhar normalmente.
Eu, sortuda, continuei de folga e aproveitei para dormir o dia inteiro. Eu nem queria dormir o dia inteiro, mas meu corpo pediu e eu aceitei.
Comentei com o Felipe sobre as estranhezas que estavam acontecendo comigo e acrescentei mais uma: era pra minha menstruação ter vindo ontem.
Tudo bem, nada de pânico. Pede pra ele trazer um teste de gravidez na volta do trabalho e tira logo essa dúvida chata.
A dúvida só era chata porque decidimos que não teríamos filhos. Nunca. Pra quê, né? Estava tão bom assim que gostaríamos de permanecer com essa liberdade.
Notem que eu disse "decidimos", ou seja, seria dessa forma.
Fiz o xixi no copinho e mergulhei o teste. A linha vermelha apareceu bem forte. Corri para pegar o manual de instruções e li que se a linha vermelha aparecesse, era positivo. O positivo significava que eu estava grávida.
Saí correndo do banheiro chamando ele: Broto! Brotooooo!!!! BROTOOOOOO!!!
Cada vez que eu o chamava, meus olhos cresciam e meu coração disparava ainda mais: onde é que ele foi num momento tão importante quanto esse?
Ele aparece: estava tentando lavar o quintal de casa. Afinal, era só eu fazer logo o teste e tirar essa dúvida chata.
Chorei. Chorei muito. Chorei sentada, com as mãos no rosto, a mão do Fe em meu ombro e o choque, pois apareceu a linha vermelha, que era positivo, que era grávida.
Não serei mais eu, não terei mais a minha liberdade, não viverei pra mim e sim para um outro ser... já era, já era...
Com o rosto completamente molhado, olhei pra ele e disse: e agora? Esperando que ele me falasse algo que me confortasse como ele costuma sempre fazer.
"Agora a gente precisa de calma. Estamos juntos e não é de hoje. Você não está sozinha, eu estou com você e eu te amo, não precisamos entrar em desespero, ta? Fica calma, meu amor", ele disse.
Não estou romantizando, não foi exatamente com essas palavras, mas ele me olhou nos olhos com aquela serenidade que ele tem e me disse palavras que me fizeram dar um sorriso e parar de chorar por alguns minutos.
Pedi mais um teste. Vai que aquele estava errado, né?
Ele saiu, comprou outro teste e voltou. A linha era azul dessa vez. A linha azul significa positivo e positivo significa grávida.
Já era noite e amanhã não tem mais folga. Vamos dormir que depois a gente pensa direitinho nisso tudo.
O dia seguinte foi caótico: não consegui chegar no trabalho. Eu estava chorando muito e com a cabeça a mil, jamais conseguiria me concentrar falando de patrimônio histórico com as pessoas. Encontrei a minha irmã Vanessa, que me ouviu, me acalmou, que acolheu e ficou comigo num momento que eu precisava demais.
Minha amiga Glalcia também abraçou a minha notícia e felicitou-me sem que eu, ao menos, estivesse entendendo direito o que era tudo aquilo. Eu só tinha decidido que eu não queria.
Felipe ficou calado o dia todo no trabalho. Fez sua função de forma quase que automática, segurando dentro de si um turbilhão de sentimentos e questionamentos que não poderiam ser revelados ainda.
Ainda pela manhã, ele mandou uma mensagem para a rádio que ele ouve um programa todos os dias e disse "Minha esposa está grávida e não era planejado. Me diz uma palavra de apoio aí."
A palavra de apoio veio do apresentador* ao interromper uma música para dizer: Gente, peraí. Eu parei a música porque o Felipe Chaves mandou uma mensagem aqui no Twitter tão fofinha. Ele falou que vai ser pai, que ele e a esposa dele estão com medo e não estão sabendo lidar com isso e pede pra eu mandar uma mensagem de força pra ele. Bem, Felipe, força aí! Brincadeira. Cara... Felipe, não tem porque ficar com medo. Ser pai é a coisa mais maravilhosa que a vida pode dar, é muito legal! Eu sou pai de duas meninas lindas e... cara... Fica tranquilo e curta essa nova vida porque é muito legal, beleza? Vamos de som!"
À noite, conversamos sobre a nossa novidade. Começamos uma conversa dispostos a traçar ali um destino que seguiríamos sem olhar para trás.
Finalmente conseguimos respirar depois do baita susto, vamos ter um bebê e isso pode ser muito bom.
Cheguei a fazer um terceiro teste que não tinha linha nenhuma, era a palavra mesmo que gritava pra mim: Grávida. Era isso mesmo, chega de tentar achar que pode ter dado algo errado.
Uma das coisas mais maravilhosas de se fazer é contar para as pessoas mais próximas que você e o seu amor estão esperando um bebê. O certo seria começar a contar a partir do terceiro mês, mas quem é que aguenta?
Depois do susto, conversei melhor com a Vanessa e, aliviada, disse que ela seria tia. Glalcia, que também está grávida com apenas três semanas de diferença de mim, ficou muito feliz com tudo desde o começo e me acolheu com o seu amor de amiga-irmã. (Escrevi um texto sobre o casamento dela que é "Coral é a cor mais quente" pra quem quiser ler e é um dos meus textos preferidos do blog).
Aproveitei a situação da Glalcia para contar a novidade para a minha mãe. Chamei ela, pedi pra ela sentar no sofá da sala com o Felipe e disse:
- Mãe, a Glalcia está grávida, né?
- Sim, que legal, né?
- É, e eu também estou.
- Sério, bem? Verdade mesmo?
O sorriso da minha mãe foi crescendo à medida em que seus olhos enchiam de lágrimas. Ela levantou do sofá e veio me abraçar. Ficamos abraçadas e ela dizia: o tanto que eu pedi pra deus! Pqp! Deus escutou tudo que eu pedi pra ele! Pqp! Eu to feliz, viu bem? Eu to feliz!
É claro que ela não poderia deixar de falar do quão feliz o meu pai estaria se estivesse ali para receber a notícia junto com ela. Ele estaria, com certeza, muito feliz.
Contar para os meus sogros envolveu uma ideia especial. Colocamos os testes que fiz numa caixinha e escrevemos bilhetes "Parabéns, vovó!" e "Parabéns, vovô!"
Chegamos na casa deles a noite e chamamos os dois. O dia dos pais tinha sido há poucos dias, então o Felipe disse que levaria um presentinho para o meu sogro e, consequentemente, levaríamos para a minha sogra também.
Entregamos as caixinhas, eles abriram. Meu sogro, Donda, ficou com o teste sem linha nenhuma, o que estava escrito logo "Grávida" e minha sogra, Nadja, ficou com o primeiro teste da linha vermelha.
Nadja já havia perguntado muitas vezes ao Felipe sobre ter um neto dele e ele sempre foi muito firme na resposta: não teremos. Foi tão firme que ela tinha até desistido de pensar na ideia.
Donda viu o teste, olhou pro Felipe com um sorriso bem largo dizendo "É mesmo!?"
Nadja viu que dentro da caixa tinha algo parecido com um termômetro e um bilhete de "Parabéns, Vovó!" que a Meg, nossa cachorrinha, poderia ter... escrito?
- Não tem como! O que a Meg quer dizer com isso? O que é isso?
- A Aline está grávida, mãe.
Nadja levantou com tudo da cadeira gritando: ATÉ QUE ENFIM!!! TODO MUNDO DA MINHA FAMÍLIA JÁ TEM NETO, MENOS EU! VOCÊS DEMORARAM DEMAIS, MAS ATÉ QUE ENFIM EU VOU SER AVÓ!!!
Iluminando toda a nossa insegurança, a euforia deles deram espaço a um suspiro aliviado de saber que estamos sendo abraçados por todos eles.
Estávamos cercados de pessoas felizes com a nossa notícia e isso ajudou muito a não termos do que temer. Uma criança está vindo ao mundo, a nossa criança. Ela será cercada de amor e carinho, então não tínhamos mais porque sentir desespero.
Pré Natal, exames, ultrassons... os próximos passos foram dados com serenidade e cuidado com o nosso brotinho.
No primeiro ultrassom, vimos o formatinho dele e vimos que ele gosta muito de dançar. Estava se movimentando bastante apesar de eu não conseguir sentir por causa das minhas poucas semanas de gestação. Ele ou ela estava realmente lá, era verdade. Engraçado como eu me senti aliviada em saber que havia mesmo uma outra vida dentro de mim.
Também ouvimos o coraçãozinho bater, que emocionante!
"Quando o brotinho nascer...", "quando o brotinho tiver uns 5 ou 6 anos...", "quando o brotinho quiser fazer X coisa..." o nosso assunto agora era esse no meio de tantos outros assuntos tensos como eleições 2018 ou assuntos cotidianos no geral.
Nossos cunhados estavam ansiosos pra saber logo o sexo do brotinho. A Livya, que adora uma festa, já sugeriu que fizéssemos um Chá Revelação e que entregássemos o resultado do exame pra eles assim que saísse, sem que a gente soubesse.
Felipe gostou demais da ideia, então decidimos fazer. O ultrassom seria feito no dia 12/11 e, se fosse possível ver o sexo, faríamos a revelação no dia 15/11, feriado.
O médico entendeu que queríamos fazer o chá, então se esforçou para não contar qual era o sexo do brotinho (que ele tinha visto com menos de 5 segundos da maquininha encostada na minha barriga.) Ele ficou brincando, perguntando se realmente não queríamos saber já naquela hora. Falamos que não, que iríamos aguardar uns dias pra saber.
- Eu só digo uma coisa pra cada um de vocês: você vai ficar muito feliz, mamãe e o papai vai ficar bobo.
Normal. Todos os médicos devem dizer isso a todas as mães e todos os pais desse mundo, belo spoiler.
Pegamos o envelope lacrado e fomos embora. Estava ali na nossa mão o resultado. Será que era um menino ou uma menina?
Fiz várias brincadeirinhas bobas pra saber qual o sexo. Nenhuma delas têm fundamento, mas era só pra brincar: fiz a tabela chinesa, fiz a brincadeira do garfo e colher, menininhas grudaram muito em mim e tudo indicava a mesma coisa: era menino.
Comecei a pensar que poderia realmente ser um menino, mas se fosse uma menina... Se fosse uma menina, seria tão incrível. Mas vamos lá, acho que é um menino mesmo.
Meu broto estava achando o mesmo e nós ficávamos falando das vantagens de ter um menino e ter uma menina. Basicamente, são as mesmas... mas, né? A gente sempre fica lá imaginando como seria.
Se for menina poderia ser Aimé, Adriana, Fernanda também é legal... Flora... Flora? Caralho! Flora!!! Se for menino poderia ser Arthur, Fabrício, Plínio.... Renato... nossa! Renato por causa do Renato Russo! Seria bem legal!
Queríamos um nome que não estivesse tão em alta. Tem tantos Enzos e Valentinas que decidimos fugir dessas enxurradas de nomes do ano e focamos em nomes mais "esquecidos" ou diferentes.
Pronto, já estava decidido: se fosse menina seria Flora e se fosse menino seria Renato.
Chega o tão esperado dia 15 de Novembro e nós estávamos muito ansiosos para saber o sexo do nosso brotinho. Apesar de acharmos firmemente que era menino, vai que vem uma menina, né?
- O que você gostaria que fosse? eu perguntei pro broto.
- Eu acharia bem legal se fosse uma menina e você?
- Eu gostaria muito que fosse uma menina. Mas é menino, eu acho.
- Eu também, acho que é o Renato.
Nessa agonia toda, fomos até a casa dos meus sogros, onde seria a revelação.
Pessoas da nossa família, os mais próximos estavam lá, torcendo pela Flora ou pelo Renato com sorrisos no rosto apesar de estarem felizes independente do sexo.
A Livya é muito caprichosa! Ela decorou a festa com as cores rosa e azul para fazermos a nossa tarde de revelação e organizou o momento chave do anuncio enquanto auxiliava o Manno e a Nadja nos preparativos do almoço.
Quando estávamos todos reunidos, Livya pediu para sentarmos um do lado do outro para que ela e o Manno pudessem ler algumas palavras pra gente.
Manno perguntou para o Felipe o nome de uma música do Cícero ele disse "Vagalumes Cegos".
A música começou a tocar, tocando junto os nossos corações "Nem sei, dessa gente toda, dessa pressa tanta...". O choro tomava conta de nós dois, nós três, quatro... tinha bastante gente chorando.
Chorando a ponto de não conseguir ler o texto, o Manno respirava fundo e tentava ler de todas as formas, mas não dava.
A Livya decidiu ler, chorando mesmo:

"Queridos mamãe e papai,

Não falta muito para eu chegar, e mal posso esperar para ver o mundo lá fora. Como sei que minha chegada e minhas primeiras semanas ao lado de vocês não serão fáceis, escrevo aqui alguns conselhos para quando a responsabilidade pesar e se sentirem desapontados comigo ou consigo mesmos.

Eu já os conheço e os amo pelo som de suas vozes e pelo amor que, aqui de dentro, já posso sentir. Sei que vocês querem ser os melhores pais do mundo e, provavelmente, estão cheios de expectativas e inseguranças. Mas meu primeiro pedido a vocês é que, por favor, não exijam muito de mim e nem de si mesmos. Assim como eu serei um bebê recém-nascido, vocês também nascerão enquanto pais, e nós três somos fortes e resilientes o suficiente para suportar muitos dos erros naturais que vocês cometerão. Tudo o que vocês fizerem com amor não pode me prejudicar.

Nos permita seis semanas após o meu nascimento. Seis semanas sem exigências, sem julgamentos, sem esperar que eu me comporte de alguma forma pré-definida. Nessas seis semanas, eu vou crescer, me desenvolver, amadurecer e me tornar mais estável e previsível. Nessas seis semanas, a mamãe, principalmente, deve relaxar, descansar e permitir que seu corpo volte ao normal. Eu vou ficar bem, se você tirar uma soneca junto comigo, não se preocupe.

Veja bem, aqui dentro, eu não sei o que é fome. No mundo lá fora, eu vou sentir isso nas horas mais inapropriadas e posso me desesperar. Me perdoe e, por favor, me alimente quando eu pedir. Relógios e o tempo significam muito pouco para mim no início da vida. Em todos esses meses, eu nunca estive sozinho. Pelo contrário, desde que passei a existir, eu tenho estado envolto pela mamãe. O meu nascimento pode ser um choque e vai levar um tempo para eu me acostumar. Por favor, me segure, abrace, beije, toque, me acaricie e me ame sempre que você puder. E me perdoe se eu choro muito. Meu choro é a única maneira que eu tenho de dizer a vocês que algo está errado. Eu vou chorar com frequência no início. Conviva comigo dessa forma e eu prometo que, aos poucos, vou amadurecendo e me socializando mais.

Por favor, mamãe e papai, encontrem tempo para me conhecerem, para descobrir quem eu sou, para me entenderem. Tenho muito de vocês, mas dediquem algumas horas por dia a encontrar os detalhes que me tornam uma pessoa única. Se vocês me observarem atentamente, eu poderei lhes contar as coisas que me agradam, que me consolam e me acalmam, e a nossa relação será cada vez melhor. Por favor, não fiquem desapontados quando eu não agir como o bebê que vocês sempre sonharam. Como eu disse, eu sou uma pessoa única e, apesar de não ser perfeito, eu amo vocês com todo o meu coração. Também não espero perfeição em retorno, portanto se perdoem pelas falhas que cometerem. No meu coração, eu já perdoei tudo o que vier a acontecer.

Por último, mamãe e papai, eu preciso que vocês cuidem de si mesmos, da sua saúde e do seu relacionamento. Apenas com o corpo e mente saudáveis vocês serão capazes de me proporcionar a vida que vocês sonham. Eu preciso de vocês fortes, dispostos e felizes para que eu cresça feliz também.

Eu já desenho os seus rostos na minha mente.

Do seu bebê, que te ama de todo o coração."

Aplaudimos emocionados e partimos para o momento mais esperado do dia: a revelação.
Tinha uma caixa pendurada no teto com duas fitas: uma rosa e uma azul. Livya pediu para eu escolher uma e o Fe outra e puxar no sinal que ela der. Ela perguntou uma última vez: E aí, o que é que vocês acham?
Gritam menino, menina, Flora, Renato, levantam plaquinhas...
- Puxaaaa!!! (A fita) Devagar.... devagar...
E aquele suspense todo agoniando todo mundo.
Caiu a primeira bexiga que parecia ser neutra e não deu muito na cara o que era. Eu fui logo abrindo a caixa para ver o que mais tinha nela e vi uma bexiga rosa. Procurei outra bexiga para ver se não tinham misturado as cores na caixa. As outras bexigas também eram rosa.
Livya grita: É MENINAAAAAAAAA!!!
Chorei. Segundo a Livya, em menos de uma piscada caíam três lágrimas de uma vez do meu olho, molhando todo o meu rosto. Dessa vez, o choro era de alegria. Dessa vez, o choro era de felicidade. Dessa vez, o choro era de uma alegria desesperadamente feliz.
Abracei o meu broto pela primeira vez sabendo que o que eu carregava dentro de mim era uma menina. Era a Flora que estava ali o tempo todo, naquele momento que eu vi os testes positivos, quando contei pra Vanessa, pra minha mãe, pros meus sogros... ela que estava ali, toda serelepe dançando no ultrassom, com aquele coraçãozinho batendo forte e bem rápido e era ela quem estava ali comigo, com aquela música na minha cabeça dizendo "Nem sei..."
Eu nem sabia que ficaria tão feliz, que eu viria a felicidade estampada no rosto de cada pessoa que me abraçava, que todos os planos que a gente não queria fazer para a Flora poderiam ser feitos agora porque tínhamos essa confirmação, era ela.
Além de toda a felicidade que veio de forma instantânea e avassaladora no meu coração, ainda tem a consciência de que estou carregando em meu ventre uma menina.
Como é significativo pra mim saber que eu serei sua mãe e farei o possível para que a nossa significância e valores como mulheres inseridas nessa sociedade patriarcal seja uma resposta de amor e resistência, enchendo de força essa nossa causa de igualdade que é tão necessária e importante.
Se hoje a minha voz incomoda, incomodará muito mais ao longo dos anos que a minha filha crescer.
Se hoje eu sinto medo, trabalharei para que ela sinta todo o peso da sua força.
Se às vezes me sinto insegura, procurarei nela a segurança e o valor que ela me deu ao me tornar mãe.
E, assim, ela florescerá.
Será o compromisso que eu e o meu broto teremos com o mundo e a nossa contribuição para que ele seja cada vez melhor.

*Zé Luiz, apresentador do programa Do Balacobaco na 89.1, a rádio Rock.