Ontem eu fiz um pedido de casamento. Estava nervosa, cansada e ansiosa para o grande dia. Nervosa pois não é todo dia que se pede alguém em casamento, cansada pois a surpresa que preparei foi trabalhosa e muito bem planejada e ansiosa pois a ansiedade está sempre presente nos momentos mais importantes da nossa vida.
Há
alguns meses, pensei em preparar um jogo:
“Ele
gosta de vídeo game então achei que seria uma boa ideia bolar um
joguinho. Mas como? Ele poderia ser uma espécie de Super Mario Bros
e… e aí? Preciso de uma missão pra ele! Algo que seja diferente
de salvar a princesa porque isso seria muito previsível. Poderia ter
algo a ver com a gente. Objetos que lembrem a nossa história? Isso!
Mas quais? Somos brotos, então o broto não pode faltar. Também
preciso pensar em algum objeto que se fez importante para
desenvolvermos nossas primeiras conversas. Ele poderia estar numa
casa onde cada cômodo representasse um lugar e, em cada um, ele
encontrasse um objeto. Nossa! Seria incrível! Mas só um é pouco,
poderia ser uns 3 em cada cômodo…”
E
aí começaram os projetos do pedido em meados de Março de 2016.
Nunca
achei que fosse tão difícil encontrar alguém que faz games, então
a ideia inicial foi descartada: um game.
A
ideia do joguinho era boa, então não descartei e continuei com ela
na cabeça até que tive a ideia de começar a reformar a nossa casa.
A
casa, nós temos. É uma casa pequena e velhinha que foi construída
pelo meu pai na década de 80. Pensamos em reformá-la juntos, mas
achei que seria uma ideia incrível tentar reformar sem que ele
soubesse e fazer uma surpresa à lá “The Notebook”.*
Cozinha
pra montar, paredes, portas e janelas pra pintar, gabinete pra
instalar… será que eu daria conta de tudo? É claro que eu
precisava da ajuda de alguém mas com quem eu poderia contar que não
fosse ele? Ele não poderia saber de nada pois, se não, ele gostaria
de fazer tudo e eu sei muito bem disso.
A
reforma da casa ainda estava muito incerta na minha cabeça, mas o
jogo eu queria fazer de qualquer maneira. Pensei em fazer na casa
dele, na minha casa… mas a nossa casa seria o lugar ideal e eu
nunca conseguiria fazer uma surpresa como essa na vida, então
determinei isso: farei a reforma lá sem ele saber.
O
Eduardo, namorado da minha mãe, me ajudou com as portas, o gabinete
e pia da cozinha, o armário da cozinha e meu móvel feito de
caixotes. Ah… sim! Fiz um móvel com alguns caixotes que o meu amor
trouxe para mim da escola onde ele trabalha.
Minha
mãe me ajudou com a desocupação da casa, colagem de um tecido na
parede do quarto, com a pintura das portas, a restauração de uma
cama e com as panelas que eu estava precisando.
O
resto, eu fiz. Pintei paredes, pintei tetos (como é difícil e
cansativo!), coloquei tecidos na sala, trouxe os móveis pra casa,
troquei lâmpadas, decorei com quadros e uma paleta de cores neutras
e um bordô vibrante e todos os detalhes.
Vanessa,
minha mãe e Eduardo também me ajudaram nos ajustes finais de uma
parte importante do dia do pedido de casamento. Uma parte que é a
casa reformada. Ainda restam três partes importante desse pedido: o
jogo, o diário de reforma em vídeo e o nosso livro de aventuras.
Determinei
que eu iria complementar o pedido dessa forma. Tive a ideia de fazer
uma espécie de vlog para registrar o passo a passo da reforma da
nossa casa e iria fazer o pedido, propriamente dito, no nosso livro
de aventuras.
Para
o jogo, precisei de fitas nas cores de cada cômodo e representante
de cada lugar especial pra nós. Na sala ficaria a Outs, lugar onde
nos conhecemos e a cor seria preta para representar o rock e a banda
TV República que eu fui assistir sem conhecer o guitarrista: ele. Na
cozinha ficaria as redes sociais representadas na cor azul pois no
facebook, no twitter e no msn é a cor que prevalece. No banheiro, a
Avenida Paulista representada na cor verde para simbolizar as
estações do metrô e, por último, o lugar que chamamos de “nosso
jardim”: Parque do Ibirapuera. Ficou no quarto, representado pela
cor vermelha que é a cor do nascimento de uma chama “que arde
sem se ver”.
Os
objetos foram decididos cuidadosamente: Smirnoff Ice, cachecol,
ingresso da TVR, broto, primeira conversa no facebook, brigadeiros,
livro, cup cake, sabonetes e o nosso Livro de aventuras. Em cada
cômodo da casa, ele achou três e no quarto só havia o nosso Livro
de Aventuras.
Cada
objeto estava envolvido numa fita da sua cor representativa e, para
cada um, uma carta impressa dentro de um envelope também na mesma
cor.
Para
o Livro de Aventuras, imprimi algumas fotos nossas, usei papeis e
canetas coloridas para dizer tudo que eu estava sentindo. No final, a
pergunta: você gosta de namorar comigo? Do mesmo jeito que ele me
perguntou quando me pediu em namoro: “Você gosta de ficar
comigo?”. Ele tinha a opção de escolher o “Não” que era
uma cartinha dentro de um envelope com um bonequinho triste e o “Sim”
com a pergunta: “Então… Casa comigo?”.
Quando
ele entrou na casa, ficou muito surpreso e disse “O que é
isso aqui? Meu deus! Você fez tudo isso?” Entrou no jogo
rapidamente e foi encontrando os objetos lendo cada uma das cartas
cuidadosamente. A cada objeto encontrado e a cada carta lida eu
ganhava um beijo, um abraço, palavras sinceras, sorrisos e um
cubinho de gelo a mais na minha barriga esperando o momento do
pedido.
Foi
colocando os objetos na mesa na medida em que os encontrava e chegava
a desacreditar que estava ali naquele momento.
Ele
abriu o envelope “Sim” e, além do grande pedido, nossas
alianças presas numa fita que saíram do envelope ao passo que ele
puxava o papel. Seu segundo “Sim” foi imediato e, para o meu
alívio, seguido de um beijo e um abraço. Felicidade existe e estava
conosco naquele momento.
Para
esse jogo, não havia poesia em forma de música melhor do que “A
Casa é Sua” do incrível Arnaldo Antunes. Não escolhi a música,
ela me escolheu. Enquanto eu ficava trabalhando em galerias de arte
no centro de São Paulo, ficava cantarolando ela na cabeça o tempo
todo. Até o dia que eu tive certeza de colocá-la: Arnaldo Antunes
fez uma visita em uma das galerias do espaço que trabalho. Lá havia
algumas obras dele e ele foi prestigiar os curadores que também são
seus grandes amigos.
Quis
relatar essa experiência pois foi um dia imensamente importante pra
mim e agradeço aqui todos que me ajudaram com algo. Em primeiro
lugar, o Eduardo que não mediu esforços para vir me ajudar no que
eu precisava. Minha mãe por dar o primeiro passo para que as coisas
fluíssem aqui quando eu ainda não conseguia reconhecer a casa como
meu espaço, Fabiana por me ajudar com os incríveis brigadeiros com
toque de vinho do Porto, Vanessinha que mesmo com o braço doendo
perguntou no que eu queria ajuda e aos que gostariam muito de ter
vindo ajudar mas por algum motivo não conseguiram.
Sejam
criativos nos pedidos de vocês. Tenham autoconfiança e acreditem
que tudo vai dar certo e, se não der, é porque o certo não era
aquilo.
*Romance
de Nicholas Sparks que conheci primeiro através do filme, que eu
amei, e em seguida li o livro que odiei. No filme, a cena mais linda
é quando a Allie acorda envolvida num cobertor bordô e olha pro
espaço do Noah na cama e encontra uma flor com um bilhete dizendo
algo do tipo “Saí mas não demoro. Preparei uma surpresa. Siga as
setas.” e ela vai correndo saber o que lhe espera. Ao chegar num
lugar, ela fica maravilhada em saber que ele construiu o ateliê que
ela pediu quando eles namoravam.

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