Este pedido foi planejado para ser feito em 17 de Julho de 2016 pois já tínhamos comentado sobre casar no ano de 2017.
Foi um dia lindo e muito especial. Foi um "sim" recebido resultando num suspiro de alívio por saber que tudo tinha valido a pena. Um "não" também teria, visto que durante a minha vida, adquiri um amor próprio tão maravilhoso que nada poderia me deixar menos orgulhosa do meu esforço.
Antes do Felipe, eu estava feliz. Eu tinha consciência de que eu precisava cuidar muito bem de mim pois sou o bem mais precioso que possuo e que nada do que eu fizesse por mim, seria em vão. Ele veio com esse jeito de ser incrível para me transbordar já que eu já me via completa diante de tanto amor e cuidado que eu tinha por mim mesma.
Decidir me casar num tempo como esse em que as pessoas estão cada vez mais conscientes de que são completas não foi uma forma de voltar atrás em tudo o que eu havia ganho de experiência comigo, mas uma maneira de assumir que na vida nós somos acolhidos e abraçados por outros seres que tornam o companheirismo um item essencial de sobrevivência.
Casar não significa me desfazer das coisas e pessoas que mais amo para dar prioridade ao meu marido, mas entender que dois continuam sendo dois e que a troca de experiências e sentimentos sempre somam e jamais diminuem.
O desafio de você continuar sendo você e respeitar uma outra pessoa que convive contigo traz um maravilhoso aprendizado e eu ainda estou só começando. Aliás, nós estamos.
Após receber o "sim", sentamos para saber como comemoraríamos esse momento tão especial.
Uma grande festa? Um jantar? Uma viagem? Uma reforma na casa? Eu estava muito empolgada! Já o Felipe, queria pensar sobre isso depois.
Sentamos novamente e novamente até que as nossas vontades encontraram um equilíbrio: Uma viagem.
Talvez aí, comecei a entender o "você precisa abrir mão de muita coisa" que as pessoas tanto falam. Eu discordo. Acredito que não seja abrir mão pois se você passa a abrir mão das suas vontades é porque as vontades da outra pessoa estão anulando as suas, e isso não é bom. Como eu disse, o equilíbrio é a chave para que nenhuma vontade seja anulada e isso exige muito diálogo e companheirismo.
A viagem foi decidida, vamos para Curitiba. Gostamos do frio, é um lugar que ainda não conhecemos e não é tão longe, perfeito!
Ao contar para os amigos, vieram as cobranças: Não vai ter festa? Mas nem um churras? Mas nem um bolinho? Mas tem que ter alguma coisa...
E agora? Perguntei pra ele. As pessoas vão sentir falta de uma reunião comemorativa... Já sei! E se a gente pedisse pro pessoal organizar um bolinho? Perfeito!
Perguntei para os que mais sentiram falta de uma comemoração: Livya e Manno.
Eu: Livya, o que você acha de organizar com o Manno um bolinho pra nós? Seria o presente de vocês.
Livya: Oba! Sim! Adoro festa!!!
Então confiamos a eles organizarem um bolinho em comemoração ao casório.
Eu e o Felipe somos ateus, então não realizaríamos nenhuma cerimônia na igreja. Seria apenas a cerimônia no cartório, a festinha dos cunhados corujas e a viagem.
Durante o processo de organização da Livya, as perguntas: Uma cor que vocês gostam? Uma frase marcante? Passem os contatos de 50 pessoas...
Isso começou a nos preocupar um pouco. 50 pessoas? Era só um bolinho...
Passei os contatos e ela foi combinando com todos eles o que seria a nossa festa. Eu e o Felipe só escolhemos a data: Dia 08 de Julho de 2017. Dia em que comemoramos 6 anos que nos conhecemos.
Uma breve explicação para os observadores: Nos conhecemos dia 8 de Julho de 2011 e 9 DIAS depois, começamos a namorar. Sim, foi muito rápido e é muito bom saber que nós não perdemos tempo. 17 de Julho é um dia muito especial pra gente.
As pessoas foram confirmando aos poucos, outras cancelando, algumas pessoas queriam entender melhor a proposta da comemoração e eu e o Felipe não sabíamos nada. Tivemos que perguntar para os cunhados como seria a comemoração e estragar a surpresa, mas ficamos mais aliviados depois de estarmos cientes de tudo: Um almoço num restaurante em Mairiporã.
Eles fizeram convites (que ficaram absurdamente lindos), Livya e Glalcia caçaram objetos de decoração, pensaram nas lembrancinhas... Tudo decidido com muito cuidado.
Com certeza tem muita coisa que eu não sei, de todo o trabalho que eles tiveram mas mesmo assim eu sou muito, muito grata a tudo. O Manno ainda faz questão de dizer que a Livya é a grande responsável por tudo.
Não tivemos nenhuma etapa tradicional no nosso casamento, a não ser o cartório que é o mais burocrático de todos. Não queríamos chá de cozinha, chá bar, chá de lingerie, despedida de solteiro, padrinhos e madrinhas no altar... Nada disso. Sabem como é: Ateus, feministas, virginianos... Haja paciência de ambos os lados. Apesar disso, faríamos uma viagem que vão chamar de lua de mel, mas gostamos de chamar de lua de chocolate belga, porque né? Entre mel e chocolate belga, somos mais o chocolate mesmo.
As alianças foram dadas pela minha mãe. São as alianças que ela e meu pai casaram. Senti-me honrada e eu não faria questão de comprar novas alianças pois, como eu disse, não somos muito tradicionais. Acho importante usar uma aliança pois facilita a comunicação na hora de crushar e poupa muito o meu trabalho na hora de dizer que sou comprometida. Decidi ter um relacionamento monogâmico e não sinto vontade de estar com mais ninguém. Isso me ajuda e poupa diálogos desnecessários.
Os dias foram passando e a data do casamento foi marcada: dia 6 de Julho de 2017. Não foi uma data planejada, apenas uma data que foi acordada entre nós e foi isso.
Meus amigos Hudson e Patrícia foram até o cartório com a gente testemunhar a marcação do casamento. Sim, precisa disso. Que coisa, não? Ainda bem que eles toparam ir e eu gostei muito que eles estavam presentes.
Além da tradicional cerimônia no cartório, também gostaríamos de nomear nossos padrinhos e nossas madrinhas.
Pensamos num presente que simbolizassem brotos. Brotos para decorar e iluminar os dias mais especiais de pessoas que amamos. Compramos flores de lotus em vidro e uma base de luzes coloridas.
O critério foi escolher as pessoas que mais estiveram próximas de nós, que contribuíram e que aceitaram o nosso amor de forma sincera e acolhedora: Vanessa, Nidinho, Glalcia, Junior, Livya, Manno e Grayce.
Claro que temos outros amigos que abraçam a nossa causa, mas fizemos questão de destacar cada um deles pois percebemos que há luta para a nossa defesa e, isso, nem todos têm.
Fizemos hambúrgueres em casa e chamamos eles para estarem presentes neste dia. Fizemos uma cerimônia de entrega dos brotinhos. A cada descrição de uma pessoa importante, acendia uma flor na nossa sala escura e quando todas as flores estivessem acesas, outras luzes se acenderam.
Não sei se descrevendo dessa forma, deu pra ter uma ideia do que foi esta noite. Pra mim, ela foi muito especial.
Eis o texto com a descrição de cada um deles:
"A reunião de hoje é mais do que uma vontade de tê-los por perto nesse dia. É um agradecimento por estarem sempre presentes e um pedido: queremos a presença constante de vocês em nossas vidas.
Vocês receberam o nosso amor de braços abertos e contribuem para que o nosso jardim esteja sempre repleto das mais belas flores.
Somos muito gratos pela companhia, preocupação, cuidado e dedicação que vocês tiveram e têm com a gente.
Nossa história foi regada de conversas sinceras, risadas, desabafos, abraços e todos os sentimentos mais nobres possíveis doados por vocês e, disso, surgiu uma enorme admiração por vocês.
Mais do que nossos grandes amigos e irmãos. Queremos, também, vocês como padrinhos e madrinhas da nossa união formal.
Vanessa, você foi uma das primeiras pessoas a abraçar a nossa causa. É alguém que confiamos muito e que, apesar da distância, sabemos que aposta tudo para nos ver bem. Queremos o mesmo para você.
Nidinho, um menino de ouro. Com a sua inocência e seu coração bom trouxe muita harmonia para nós. Somos honrados por ter pessoas como você compondo nosso laço afetivo.
Glalcia e Junior, grandes amigos de longa data. Glalcia, com a sua alegria e euforia conseguiu fazer sorrir nossos corações.
Júnior, às vezes sério, às vezes risonho, traz o equilíbrio, item essencial para qualquer relação dar certo. Vocês são parte importante do deslumbre que é o nosso amor.
Livya e Fagner, cunhados corujas!
Livya, cuidadosa e extrovertida, sempre abraçou nosso sentimento de forma sincera. Fagner, mais conhecido como Manno, com seus papos filosóficos e questionadores sobre o mundo, faz surgir os "papos cabeça", combustível para boas conversas.
Grayce, você fez, mesmo que de forma indireta, nossas vidas se encontrarem. Toda a sua pureza e confiança fazem de ti um elo essencial para as nossas vidas.
Somos brotos. Brotos simbolizados nessas pequenas flores e vocês são a nossa poesia, simbolizados na luz.
Pedimos para que continuem nos regando com sentimentos bons e saibam que vocês sempre terão o perfume de nossa parte, que é apenas resultado de todo cuidado depositado em nós. Conte com a gente, também, para mais sorrisos, conversas, abraços, desabafos e apoio.
Gratidão."
As coisas foram acontecendo e o dia estava cada vez mais próximo.
Muita coisa boa e ruim aconteceram nesse meio tempo e só quem estava muito próximo de mim, sabe como foi difícil e maravilhoso entender certas coisas. O nervosismo tomava conta de mim a cada dia e eu perguntava: Broto, você não está sentindo nem um friozinho na barriga? E ele disse: Não. Estou certo disso e na prática as coisas não vão mudar.
Pensando bem, ele está certo. Já temos um convívio a dois, eu o conheço bem e se caso algo começar a desandar, não é o desespero que vai resolver os nossos conflitos.
6 de Julho de 2017. Acordamos cedo, nos arrumamos e fomos pro cartório com nossas testemunhas e minha amada mãe.
A cerimônia durou uns 5 minutos e eu adorei porque deu pra aproveitar melhor o dia e eu senti coisas tão boas, me senti tão leve e feliz. Talvez eu tivesse sentido a tranquilidade que o Felipe queria que eu sentisse há muito tempo.
Olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, sorrisos trocados e paz. Cada detalhe contribuiu para que uma cerimônia de 5 minutos durasse a vida inteira dentro da gente.
Eu estava certa e não me vi assim só naquele momento. Eu sabia e sei que eu não tenho que me privar de ser eu pra agradar ninguém, que eu me encontrei completa e toda a chuva que tiver de passar por aqui, eu mesma cuidarei de secar porque é isso que me faz ser eu e me amar assim do jeitinho que eu sou.
Um dia, num momento de devaneio/sonho/sono eu me vi deitada no meu colo, me consolando da dor. Ali eu entendi que o principal casamento tem que acontecer da gente com a gente antes de acontecer com um outro alguém. Isso aconteceu bem antes do Felipe entrar em minha vida.
Acredito que o amor seja o sentimento mais nobre que existe e nunca entendi porque as pessoas o relacionam com a dor. Amor não é dor, definitivamente. Ele, na sua essência mais pura é o que traz a plenitude da felicidade.
8 de Julho de 2017. Dia do almoço que ganhamos de presente.
Ao chegarmos no local, já tinham algumas pessoas esperando a gente e que não receberam com palmas.
O lugar se chama "O velhão" e fica em Mairiporã. Um lugar muito bonito, acolhedor e com uma comida maravilhosa.
A mesa estava deslumbrante, os convidados estavam felizes, o tempo estava muito agradável e eu estava extasiada. Como foi lindo!
Recebemos muitas palavras de amor e carinho, fomos abraçados por todos de uma forma tão sincera que me fez chegar num nível muito alto de felicidade.
Naquele dia, senti sim a falta de algumas pessoas queridas. Algumas que não puderam ir, outras que eu não pude levar comigo e, claro, meu amado pai.
Com certeza, ele iria brigar comigo por eu ter cortado tanto o cabelo, mas não tenho dúvidas de que ele transbordaria felicidade comigo.
A comemoração desse evento lindo ainda não acabou. Ainda faremos a viagem pra Curitiba e comemoraremos o nosso dia 17 lá.
Aos meus cunhados corujas, imensa gratidão! Não apenas pelo almoço mas por estarem sempre presentes com a gente, fortalecendo nossa amizade e nossa união.
Aos nossos amigos queridos, vocês são o brilho que precisamos os nossos dias. Sempre com a gente e que seja sempre assim.
Aos padrinhos e madrinhas, a presença de vocês também foi mágica pra nós. Grande abraço a todos e permaneçam por perto.
Aos nossos familiares presentes, honra e prestígio me definem quando falo em vocês. Estaremos aqui para tudo que precisarem e sei que podemos contar com o amor de vocês para sempre.
Meu Paizito, se estivesse aqui, estaria muito feliz e tranquilo em saber que tenho comigo uma pessoa incrivelmente maravilhosa.
Ao meu amor, meu broto, meu grande amigo e companheiro. Aprendo muito com você e gosto de saber que também lhe passo bons ensinamentos. A troca de experiências e o nosso companheirismo são a fortaleza do nosso amor. Eu te amo muito.
Agradeço muito a paciência de quem dedicou-se ao texto também.
Obrigada.
Ps.: Para quem quiser saber mais sobre o meu pedido de casamento: http://defatimaoficial.blogspot.com.br/2017/07/o-pedido.html

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