quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dias para se guardar na memória, dias memoráveis

Foi o ano todo dizendo "Mãe, em Janeiro nós vamos pra Recife, né?" e ela concordava sem dar muita importância. Passagens para o nordeste brasileiro são tão caras que é preciso fazer um planejamento. Claro que isso é válido para os não providos de muito dinheiro. Pois bem. Eu poderia ter escolhido outro destino mas a minha sogra leva consigo uma lei que diz o seguinte: "Todo Janeiro eu vou para o nordeste!" e, nesse ano de 2016, seria exatamente para Recife.
Veio Novembro junto com a Black Friday e uma promessa de passagens mais bataras. "Para Recife? Em Janeiro?? Rs Olha... não vai ter nada. Diante desta informação, pagamos as passagens de ida um pouquinho mais baratas do que o normal naquele mês.
"Mãe, em Janeiro nós vamos pra Recife." O que era uma interrogativa tornou-se uma afirmativa pelo fato de não conseguirmos mais devolver as passagens e pegar o dinheiro de volta. "Ta bom, Aline!" Dizia ela já com a paciência quase esgotada. Dezembro passou velozmente e... tan dan! Janeiro!
Dia 12 de Janeiro de 2016 era o dia. Não estávamos esperando tanto assim por ele pois a minha mãe queria mesmo era "fugir do compromisso". Eu, um tanto arrependida por forçar a minha mãe a aceitar um convite indireto da minha sogra para viajarmos juntos, pensava no porquê tinha feito isso.
Fomos em cinco pessoas: minha mãe Cida, minha sogra Nadja, meu cunhado Nidinho, meu namorado Felipe e eu.
O Eduardo, amigo da minha mãe, fez questão de nos levar até o aeroporto e a ansiedade dela crescia ainda mais vendo aquele lugar enorme e pensar que daqui a algumas horas poderia estar dentro de um daqueles aviões enormes.
O voo foi muito tranquilo e ela nem ficou com medo. Só vi que fechou os olhos bem forte na hora da decolagem mas depois percebi que estava mais calma quando cochilou. Nadja e Nidinho já estavam em Olinda desde o dia 2 de Janeiro e estavam no aeroporto de Recife esperando a gente chegar. Saímos de São Paulo naquele friozinho com chuva e chegamos em Recife com aquele calor de matar. Do aeroporto fomos pra Olinda para nos hospedar na casa da afilhada da minha sogra que, gentilmente, nos emprestou a casa. Já no dia seguinte, fomos conhecer um parque chamado Coqueiral. Ficava a uns 20 minutos da casa onde nós ficamos. O parque tem piscinas para todos os gostos, mais sossegada pra quem gosta de ficar numa boa ou com ondas para quem gosta de lances mais divertidos.

(No Aeroporto de Guarulhos 12/01/2016)

                                                        (No parque Coqueiral 13/01/2016)
                                                         
(No parque Coqueiral 13/01/2016)

Com exceção da Nadja, acho que todo nós preferimos uma boa piscina do que o mar. Por isso, fomos direto a um parque aquático. O dia seguinte não foi diferente, conhecemos outro parque, desta vez o Veneza. Nidinho, Felipe e eu fomos e nossas mães ficaram em casa.
Neste parque, havia mais opções de piscinas e atrações então nos divertimos bastante! Fizemos corrida de bóias, descemos num tobogã escuro de cobra e o Felipe quase me fez desmaiar topando descer de um tobogã super inclinado.
No fim do dia no parque, comemos churros, voltamos pra casa e depois fomos dar umas voltas pra comer pastel numa pastelaria perto de casa. Quanta porcaria! Rs...
Ilha (encantada) de Itamaracá foi a nossa próxima aventura. Visitamos o forte de Itamaracá, almoçamos, tomamos banho de mar e atravessamos a ilha. O mais impressionante, além da visão maravilhosa deste lugar, é que convencemos a minha mãe a atravessar a ilha comigo e com o Felipe de barco. "Vou nada, Aline! Morro de medo!" E o socorrista, gente finíssima, Alex disse: "Vai, mulher! Se você não for, vai acabar se arrependendo." Insistir. Acho que é este o segredo para que a minha mãe aceite novos desafios, diga sim para os ditos "compromissos" e, de fato, reconheça que iria se arrepender se não o fizesse.
Mais um dia da nossa aventura e fomos às compras! Artigos artesanais, roupas, coisas de praia... Além de ter distração para os mais jovens e as menos jovens, passamos boa parte do nosso tempo no centro de Olinda. Se, até o momento, não sabíamos ainda o porque desta cidade ter este nome, bastou subirmos ao elevador da Sé para que suspiros viessem cada vez mais intensos de nossos corações: me apaixonei! Visão deslumbrante! Agradeci ao momento, agradeci por estar com a minha mãe, o meu amor e estar num lugar que eu não fazia ideia do quão lindo era me fez sentir que no Brasil há coisas lindas e coisas lindas de verdade.


Ilha de Itamaracá - Olinda

Centro de Olinda

Vista do mirante (elevador) - Olinda

Artesanato


Artesanato - Olinda

Me apaixonando - Olinda

Foto da selfie - Centro de Olinda
I
Forte de Itamaracá

Ilha de Itamaracá - Olinda

 Nossa viagem continua em Recife, no dia 16 de Janeiro conhecemos o parque Dona Lindú e à noite visitamos o centro de Recife com os primos do meu amor. O centro de Recife a noite é a coisa mais encantadora! Muita gente na rua, várias famílias, pessoas andando de skate e patins, muita gente nos barzinhos... encatador! Eu estava louca para conhecer o prédio da Caixa Cultural de Recife, vi o prédio por fora naquela noite pois já estava fechado e combinei com o Fe que voltaríamos lá pra conhecer a exposição "Esporte Movimento".
Nesses dias, ficamos hospedados na casa da tia (a minha preferida das tias do broto) Neide. Que as outras não vejam isso, mas gosto demais dela! Tia Nara e tia Norma também são uns amores!
Nossa comemoração de 4 anos e meio foi em nada mais, nada menos do que em Porto de Galinhas. Voltamos lá pela segunda vez desde 2014 e matamos uma saudade que estava guardada desde então. Muitas lojas, muita gente, praia linda! Daquelas que você vai pro mar e a água bate no umbigo e você consegue ver suas pernas se movimentando embaixo d'água.
O mar estava bem calmo e nós muito felizes. Minha mãe então... Junte a palavra "lojinha" com as palavras "mar calmo" e ela adora!
No dia seguinte, fizemos passeios a dois durante todo o dia: eu e meu amor fomos conhecer o tão misterioso Instituto Abelardo da Hora. Antes de nos aventurarmos até lá, ligamos. "Olha... a moça que pode te informar o horário de funcionamento volta daqui uns instante, vice?" E eu acabei retornando depois. Nada dela ter chegado, Felipe liga pela terceira vez e uma mulher dizendo ser a Sandra, filha dele, atende. Eis o diálogo:
Felipe: Boa tarde, gostaria de saber qual o horário de funcionamento do Instituto.
Sandra: Boa tarde, você vem mais ou menos que horas?
Felipe: Ah... estava pensando em ir depois do almoço.
Sandra: Pronto! Pode vir! Estarei aqui a tarde toda Você vem com quem?
Felipe: Vou com a minha namorada.
Sandra: Pronto! E vocês já sabem chegar aqui?
Felipe: Mais ou menos... mas nós temos GPS qualquer coisa.
Sandra: Pronto! Mas não é difícil não, olha (ela explicou o caminho).
Felipe: Então tá, até mais tarde.
Sandra: Até, tchau.
Felipe desliga o telefone e achou bem interessante o fato de ter falado com a filha de um artista que ele gosta muito.
Em Março de 2015, tivemos uma exposição na Caixa Cultural São Paulo chamada "Abelardo da Hora 90 anos: Vida e Arte" com as esculturas dele. Ali, me apaixonei pelo seu trabalho e pela sensibilidade que ele conseguia passar através das suas obras. Felipe também gostou demais da exposição e foi isso que nos despertou a curiosidade de conhecer o Instituto.
Pegamos um táxi e perguntamos ao taxista se ele sabia onde era o local, ele disse que não sabia ao certo, mas sabia onde o Abelardo morou. Ele nos deixou próximo ao local e chegamos num muro branco com vários banners escrito "Instituto Abelardo da Hora". Estranhamos o portão fechado, então liguei novamente para a Sandra e ela disse que viria um homem abrir o portão pra gente.
Entramos num galpão bem grande cheio de esculturas e ela veio nos receber. Disse que era um prazer receber a gente e foi muito atenciosa mostrando tudo: as esculturas do galpão, o ateliê onde havia uma escultura ainda não terminada, várias fotos e cartazes do Abelardo... isso só na parte de fora do local. Quando entramos na casa, vimos mais esculturas e conhecíamos mais daquele que nos encantou com o seu trabalho e eu me sentia cada vez mais honrada de estar naquele lugar. Sandra foi mostrando tudo, os detalhes e chegava a encher os olhos de lágrimas quando falava do seu irmão, Abelardo da Hora Filho, que faleceu em Novembro de 2015. O pai, faleceu em 2014 aos 90 anos deixando muitas saudades na família. Família esta que eu vi naquela casa cheia de luz e sorrisos. O corredor que dá acesso aos quartos também é repleto de esculturas, desenhos, pinturas... e ela nos mostrou até o quarto onde dormia o artista. Ao sairmos do quarto, ela perguntou se nós não queríamos tirar foto das coisas e eu, me sentindo uma jornalista intrometida, pedi pro Felipe algumas fotos e registrar um momento que, pra gente, foi muito importante: o encontro com essa pessoa tão gentil que é a Sandra da Hora e que leva em seu nome o trocadilho perfeito.
Saímos da casa um tanto que em choque de tantas coisas lindas que vimos e da experiência artística mais legal que tive dessa viagem! Apesar de todas serem extremamente maravilhosas.
À noite, passamos pelo shopping Riomar e fomos ao cinema ver o oitavo filme de Quentin Tarantino "Os oito odiados". O filme foi bom, a noite foi ótima e o dia perfeito! Na melhor companhia do mundo, o meu amor, meu broto.
(Escultura "Os Retirantes" de Abelardo da hora no parque Dona Lindú - Recife)
Prédio da Caixa Cultural de Recife

Sandra da Hora e eu - Recife


Instituto Abelardo da Hora

Dia 19 de Janeiro foi a vez do incrível e extraordinário Instituto Ricardo Brennand. Pra quem não conhece, pode soar um tanto exagerado demais, mas não é. Não creio que seja exagero dizer que um castelo cheio de esculturas dos mais diversos materiais como mármore, fóssil de mamute, bronze, gesso, obras de arte de centenas e até milhares de anos, uma coleção particular com milhares de armas, um museu de bonecos de cera e muito mais seja exagero. É realmente um lugar encantador, um lugar pra você passar umas boas horas apreciando obras de arte num espaço tão legal, vale muito a pena. Depois, fomos conhecer o centro velho de Recife. Prédios já restaurados ou em restauro mostra a preocupação dos recifenses em preservar sua história e olha que o pessoal de lá sabe bem a história da sua cidade, é bonito de ver.
Instituto Ricardo Brennand - Recife

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Instituto Ricardo Brennand - Recife


Caixa Cultural Recife

Já que estávamos ali mesmo, decidimos dar uma passada em Fortaleza ver a Tia Norma, Tio Tarciso conversador e passar a tarde naquele lugar encantador que é o "Ocas do Índio". Ficamos, dessa vez, em Beberibe, onde mora a tia Norma.
Paramos um pouco. Não saímos de casa no dia 21 de Janeiro por causa da chuva que, inacreditavelmente, costuma aparecer com intensidade quando estamos por lá. Tem um pessoal que diz até que somos nós paulistas que levamos a chuva pra lá. "Fica aqui uns meses pra ver se enche as lagoas!" diz o pessoal feliz ao ver a chuva. E, nós, com aquela cara de "Oh não! Chuva?!"
Viajaríamos de volta à São Paulo na madrugada do dia 23 então torcemos muito para que o dia anterior fosse agradável pra podermos aproveitar nosso último dia de férias. E olha... eu não acredito em deus mas se eu acreditasse, diria que ele caprichou! Dia lindo de sol e calor (para estas ocasiões, sim) e matamos a nossa vontade de passar uma tarde inteira nas Ocas do Índio. Que lugar encantador! Como a minha mãe se divertiu, como o meu amor curtiu, como eu fiquei feliz! Foram férias maravilhosas que ficarão guardadas na minha memória e que eu fiz questão de escrever muito para que eu possa ler um dia e recordar cada momento dessa parte linda da minha história.
Agradeço demais quem teve a enorme paciência em ler todas estas palavras e eu espero que tenha sido um modo de inspirar as pessoas a viajar pois todos nós temos dentro da gente uma Cidinha que detesta compromissos mas quando está neles se doa e mergulha de todo coração.

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