Hoje é dia 31 de Maio de 2019 e a Flora nasceu há 50 dias.
Como é possível que em 50 dias eu tenha mudado tanto?
Tudo o que eu vi e li sobre o puerpério era realmente verdade com uma pitada de dor, outra de solidão e mais algumas unidades de medos, impaciências, culpas e por aí vai.
A solidão de uma recém mãe é tão imensa, mas tão imensa que eu consigo ouvir o eco dos meus pensamentos mesmo com o choro frenético da Flora em meus ouvidos.
Apesar de ser um pouco triste, eu gosto da falsa ideia de que eu não preciso de companhia para levar tudo adiante.
Além de ver e ler coisas sobre o puerpério, eu também me empenhei em ver e ler coisas sobre gestação e criação dos filhos.
Agora estou colhendo as contradições, que são muitas, mas darei um exemplo.
Na hora de amamentar, a recomendação dos especialistas é que até os seis meses o bebê seja alimentado exclusivamente de leite materno, no peito e em livre demanda. Se caso a mãe sentir dor ao amamentar, q culpa é dela por não colocar o bebê na posição correta na hora de amamentar e, principalmente, por não ensiná-lo a ter a famosa "pega correta".
Eu sabia tudo sobre a posição e a pega que a Flora teria que ter! É só escolher um lugar calmo, confortável, que eu consiga sentar com a coluna ereta, colocar a Flora no colo de forma que um dos bracinhos dela fique embaixo da minha axila, meu braço precisa formar um ângulo de 90°, a aréola do meu seio precisa estar inteiro na boquinha dela e é necessário que ela faça um biquinho de peixe enquanto mama, só isso.
Muito provavelmente os especialistas que dizem isso, além de terem sido alimentados com a fórmula pelas suas mães, desconsideram que bebês se mexem e choram quando estão com fome e muitas vezes isso é im-pos-sí-vel de se fazer.
Mas claro, se não der certo a culpa é da mãe.
Isso também deu pra entender nesses dias. Tudo é culpa da mãe! E ao mesmo tempo que ela sabe tudo e se faz algo errado é culpada, ela também é inexperiente e não sabe quando seu bebê está com fome ou com cólica ou se está com a fralda cheia.
Talvez essa seja a maior contradição de todas.
De qualquer forma, também aprendi a sorrir e acenar quando alguém me diz o que fazer com a Flora.
Agora que passou a quarentena, parece que ganhei uma experiência que me deixa mais segura, mais forte.
Parece que agora que eu passei por essa prova de fogo, existe um escudo que me protege de quando recebo os palpites que vêm de todos os lados! Os que mais me incomodam são de homens, por motivos óbvios.
Outra coisa que vêm principalmente deles são os comentários ou questionamentos sobre a minha aparência física: que estou com cara de cansada, que está com pena de mim, que nem parece que eu tive um bebê, pois meu corpo já voltou ao normal em poucos dias... Coisas boas ou coisas ruins.
As ruins me derrubam completamente e nem é porque sou insegura com relação a minha aparência, mas por saber como as pessoas que gosto e admiro tanto conseguem ser tão cruéis sem saberem que estão sendo.
Foi aí que eu descobri que o que mais falta nas pessoas nesse período para com as mães é empatia.
Sei definir muito bem qual foi a pior e a melhor coisa desse período e como eu quero falar de coisa boa agora, destacarei o quanto a minha mãe está sendo maravilhosa comigo.
Ela me ajuda com todas as demandas e respeita muito os meus momentos com a Flora. Ela está sempre ali para me ajudar com tudo, o que me dá cada dia mais segurança e vontade de ser tão foda quanto ela um dia.

🌹 quem olha pra mãe... Só a mãe da mãe 🌹 e um dia, se elas assim desejarem, vamos olhar por elas também.
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